Robert Altman
Cinema na Academia
Não conformista, contestatário, dissidente, indisciplinado, independente… são algumas das possíveis traduções para a palavra inglesa maverick, que se tornou habitual utilizar para descrever realizadores obstinadamente pessoais e eternamente às turras com os seus empregadores. Assenta como uma luva a Robert Altman (1925-2006), uma das vozes mais originais do último meio século de cinema americano e o protagonista do primeiro ciclo dedicado à sétima arte que a Fundação D. Luís I, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais organiza no Auditório Carlos Avilez, na Academia de Artes do Estoril, Edifício Cruzeiro. Esta mini homenagem propõe, através de nove títulos, recordar uma longa e multifacetada carreira responsável por bem mais de uma mão-cheia de filmes icónicos.
O REBELDE DO MISSOURI
Vasco T. Menezes
A viagem tem início em “MASH” (1970), a quarta longa de Altman (ou quinta, se contarmos com o documentário inicial “The James Dean Story”, que co-assinou com George W. George em 1957) e o seu maior êxito comercial de sempre. Palma de Ouro em Cannes, esta comédia negríssima e antiautoritária sobre as desventuras do staff médico de um hospital de campanha em pleno horror da Guerra da Coreia (que é como quem diz, do conflito no Vietname que por essa altura entrava casa dentro de milhões de americanos via TV) captou na perfeição os “ares dos tempos” (a acentuada desconfiança nas instituições, aqui representadas pelo exército) e tornou-se uma bandeira da contracultura, fazendo em simultâneo de Donald Sutherland e Elliott Gould estrelas de primeira grandeza. Por trás das tropelias desses adoráveis patifórios (e antepassados de outra malcomportada dupla de um bem posterior filme do realizador, “O.C. and Stiggs/Delinquentes em Tempos Quentes”, de 1985), escondia-se o esgar de profundo desespero de uma geração que perdera a inocência e deixara de acreditar no sonho americano. Era a Nova Hollywood a bater à porta, anunciando esse breve e fulgurante período em que, no meio das ruínas do studio system, os autores tomaram conta da indústria, renovando fórmulas estafadas e forjando novos caminhos na busca de um cinema adulto, pessoal e arrojado. Essa revolução teve como pontas-de-lança não só os movie brats vindos maioritariamente das escolas de cinema (Coppola, De Palma, Scorsese, Spielberg ou Milius) como um grupo de “irmãos mais velhos” destes, cineastas formados em grande parte na TV, nos quais, além de Altman, se incluíam gente como William Friedkin, Bob Rafelson, Hal Ashby, Paul Mazursky ou Arthur Penn, apelidados por Quentin Tarantino, nas páginas do seu essencial “Cinema Speculation”, de anti-establishment auteurs e os verdadeiros epítomes, segundo a tese defendida nesse livro, da intransigência e da independência artísticas (uma conversa que daria seguramente pano para mangas e que terá de ficar para outro dia).
MASH
11 de março, 21h15
EUA, 1970 | Realização: Robert Altman / Argumento: Ring Lardner Jr., a partir do romance de Richard Hooker / Produção: Ingo Preminger / Fotografia: Harold E. Stine / Direcção Artística: Arthur Lonergan, Jack Martin Smith e Michael Friedman (não creditado) / Montagem: Danford B. Greene / Música: Johnny Mandel / Interpretação: Donald Sutherland, Elliott Gould, Tom Skerritt, Robert Duvall, Sally Kellerman, René Auberjonois, Michael Murphy, etc. / Duração: 111 minutos / Legendas: inglês. | »12 anos
Com o enorme e inesperado êxito de “MASH” (que teria inclusive direito a uma declinação televisiva numa série igualmente popular), Altman recebeu carta-branca para fazer o que muito bem entendesse. E o resultado foi uma bizarria chamada “Brewster McCloud” (1970), fábula estranhíssima sobre um Ícaro moderno, um rapaz introvertido e inocente (Bud Cort, que com este filme e, no ano seguinte, “Harold and Maude/Ensina-me a Viver”, de Hal Ashby, ganhou um lugar eterno no panteão do cinema de culto) que sonha em voar e escapar à fealdade que o rodeia. Misturando alegoria, reflexões sobre as semelhanças e diferenças entre homens e pássaros, misteriosos homicídios, anjos da guarda e excrementos de aves, é um filme de uma absoluta liberdade que não recua perante nada, nem mesmo a escatologia. E onde uma vez mais o humor anárquico (novamente as figuras de autoridade a saírem ridicularizadas) mascara um desencanto em relação à “monstruosidade” humana.
BREWSTER McCLOUD
11 de março, 19h
EUA, 1970 | Realização: Robert Altman / Argumento: Doran William Cannon / Produção: Lou Adler / Fotografia: Lamar Boren e Jordan Cronenweth / Direcção Artística: Preston Ames e George W. Davis / Montagem: Lou Lombardo / Música: Gene Page / Interpretação: Bud Cort, Sally Kellerman, Michael Murphy, René Auberjonois, Stacy Keach, Bert Remsen, etc. / Duração: 101 minutos / Versão original em inglês, sem legendas. | » 12 anos
Esta desfaçatez irreverente de Altman também se mostra bem patente na operação de desmontagem das convenções e códigos dos géneros a que se foi dedicando, desde logo do género cinematográfico americano por excelência, o sacrossanto western, com o díptico “McCabe and Mrs Miller/A Noite Fez-se para Amar” (1971) e “Buffalo Bill and the Indians/Buffalo Bill e os Índios” (1976). No primeiro, um “anti” western melancólico e invernoso, a ideia romântica dos pioneiros que desbravaram uma nação é substituída por uma visão realista de uma cidadezinha (e de um país) a ser construída à nossa frente por jogadores e prostitutas, o negócio, o sexo e a violência como elementos constitutivos de uma sociedade onde o dinheiro é desde o início o valor sagrado. Tudo é sujo e pantanoso, por obra e graça da espantosa fotografia “desbotada” de Vilmos Zsigmond, nesta história dos laços (comerciais, mas não só) que se estabelecem entre dois sonhadores (superlativos Warren Beatty e Julie Christie) cujas ambições empreendedoras chocam com o poder corrupto do grande capital. O indivíduo acaba esmagado pelas forças destrutivas que o oprimem e, afinal, a livre iniciativa e a ascensão social não são para todos na “terra da liberdade”. Já no segundo, é também de mitos fundadores de que se fala, pegando na figura do famoso Buffalo Bill (Paul Newman), soldado e caçador de bisontes tornado empresário teatral, e revelando-o como um entertainer farsante. Neste western revisionista, Urso de Ouro no Festival de Berlim, o espectáculo de variedades por ele liderado mais não é do que uma versão adulterada da História do nascimento dos Estados Unidos, corrompendo factos e trocando a verdade pela mentira como em tantas histórias de cowboys e índios de que o cinema americano se alimentou. Mais actual do que nunca, em tempos de moralismos a preto-e-branco e de indignações selectivas, o filme mostra-se ainda mais subversivo se pensarmos que o seu lançamento coincidiu com a comemoração do Bicentenário da criação dos EUA, dificilmente a melhor data para dar a ver nativos americanos nobres e puros explorados por brancos venais… Por via da encenação de episódios relevantes para uma mitologia, constrói-se também, neste jogo entre realidade e ficção, um olhar especular sobre o cinema como suprema ilusão. Em última análise, tanto num como no outro caso, é a figura do herói (tão cara em terras do Tio Sam) que surge questionada, para o que muito contribui a maneira como Altman utiliza Beatty e Newman, dois símbolos da masculinidade americana, “embrutecendo-os” e ocultando-os por trás de barbas e melenas.
McCABE AND MRS MILLER /
A NOITE FEZ-SE PARA AMAR
18 de março, 19h
EUA, 1971 | Realização: Robert Altman / Argumento: Robert Altman e Brian McKay (com contribuições não creditadas de Robert Towne e Joseph Calvelli), a partir do romance de Edmund Naughton / Produção: Mitchell Brower e David Foster / Fotografia: Vilmos Zsigmond / Direcção Artística: Al Locatelli e Philip Thomas / Montagem: Lou Lombardo / Música: Leonard Cohen / Interpretação: Warren Beatty, Julie Christie, Michael Murphy, René Auberjonois, Shelley Duvall, Bert Remsen, Keith Carradine, William Devane, etc. / Duração: 116 minutos / Legendas: inglês. | »12anos
BUFFALO BILL AND THE INDIANS /
BUFFALO BILL E OS ÍNDIOS
18 de março, 21h15
EUA, 1976 | Realização: Robert Altman / Argumento: Alan Rudolph e Robert Altman, inspirado na peça de Arthur Kopit / Produção: Robert Altman / Fotografia: Paul Lohmann / Direcção Artística: Jack Maxsted / Montagem: Peter Appleton e Dennis Hill / Música: Richard Baskin / Interpretação: Paul Newman, Burt Lancaster, Geraldine Chaplin, Harvey Keitel, Joel Grey, Kevin McCarthy Will Sampson, Shelley Duvall, Bert Remsen, etc. / Duração: 118 minutos / Legendas: espanhol. | »12 anos
Pelo meio – e entre outras tantas obras-primas, da desconstrução do policial em “The Long Goodbye/O Imenso Adeus” (1973), actualizando Chandler e trasladando Philip Marlowe para a L.A. da egocêntrica me generation, à fantasmagoria bergmaniana do onírico “3 Women/Três Mulheres” (1977) –, o monumento que é “Nashville” (1975). Caleidoscópico filme coral, segue o percurso de 24 personagens em torno da indústria da música country (coisa mais americana não haverá) e de um comício político-festival de música na capital musical dos EUA. A complexa tapeçaria urdida pelo realizador fica como a súmula definitiva do estilo altmaniano: o recurso a várias câmaras (herdado do tirocínio durante a idade de ouro da TV em directo), alterando entre o recurso a planos gerais, com ângulos muito abertos para melhor capturar toda uma galeria de personagens, e zooms que se fixam em determinados actores, tentando apanhar um qualquer momento de ditoso improviso e reforçando a sensação de naturalismo e espontaneidade por oposição a uma estrutura narrativa rígida; o tratamento expressivo do espaço, com o scope a servir para radiografar os diversos cenários onde um grupo de pessoas se reúne, e a utilização experimental, quase “abstracta” do som, através da sobreposição de diálogos, misturando uns e abafando outros, impossibilitando assim o espectador de apreender tudo o que ouve (?) e diluindo as hierarquias entre figuras principais e secundárias. Esta colecção de criaturas ensimesmadas e iludidas é como um microcosmo de uma sociedade abalada por convulsões sociais várias (assassinatos políticos, motins raciais, Watergate), onde política e espectáculo são indissociáveis um do outro. Épico tragicómico, é ainda hoje um dos retratos mais pungentes das glórias e fracassos de um país e a sua influência continua evidente (basta olhar, por exemplo, para o “Magnólia” [1999] de Paul Thomas Anderson).
A inflexível idiossincrasia de Altman fê-lo coleccionar uma série de reveses comerciais que culminou no flop doloroso do incompreendido “Popeye” (1980), um dos últimos pregos no caixão da Nova Hollywood, entronizando a transformação do rebelde iconoclasta em cineasta maldito. Os tempos eram já outros, os estúdios tinham recuperado o poder com a descoberta do blockbuster e o início do reinado do high concept, passando a imperar a regra do menor denominador comum. Altman era mais do que nunca um corpo estranho: «Acho que Hollywood tem medo de mim. Não consigo fazer o tipo de filmes que eles querem fazer e o tipo de filmes que faço, eles não querem simplesmente fazer», disse ele à época. Os anos 1980 foram de facto uma “travessia do deserto” para o realizador, não tanto por falta de oportunidades ou por um decréscimo de qualidade mas por ter sido forçado a reduzir a escala do seu cinema, s컞ndo-se aos vastos frescos da década de 1970 um conjunto de adaptações intimistas de peças teatrais (destacando-se o extraordinário “Streamers/Correntes” [1983], que valeu a todo o elenco um prémio especial de interpretação no Festival de Veneza), entre outras pequenas produções independentes e um regresso à TV. A inesperada “ressurreição” deu-se com “The Player/O Jogador” (1992), sátira corrosiva a Hollywood e ajuste de contas com a indústria, em que Altman contou com a ajuda de um rol quase interminável de estrelas, onde havia até espaço para a fiel trupe de comparsas habituais (actores como Gould, Shelley Duvall, Michael Murphy, René Auberjonois, Henry Gibson ou Keith Carradine).
NASHVILLE
1 de abril, 21h15
EUA, 1975 | Realização: Robert Altman / Argumento: Joan Tewkesbury / Produção: Robert Altman / Fotografia: Paul Lohmann / Montagem: Dennis Hill e Sidney Levin / Música: vários intérpretes, incluindo Keith Carradine, Karen Black, Ronee Blakley e Gary Busey / Interpretação: Keith Carradine, Karen Black, Ronee Blakley, Lily Tomlin, Geraldine Chaplin, Henry Gibson, Michael Murphy, Scott Glenn, Jeff Goldblum, Keenan Wynn, Shelley Duvall, Gwen Welles, Bert Remsen, Ned Beatty, Barbara Harris, etc. / Duração: 160 minutos / Legendas: inglês. | »12 anos
O enfant terrible dava lugar à eminência parda, que aproveitou o fim da “invisibilidade” que a perseguia para retomar de modo triunfante o filme-mosaico: o sublime e inultrapassável “Short Cuts – Os Americanos” (1993), a última obra-prima de Altman, livremente inspirada em contos (mais um poema) de outro gigante americano, Raymond Carver, pondo desta feita em cena 22 personagens à deriva na Los Angeles dos anos 1990 e cujas vidas se interligam de forma fragmentária, como que ao sabor do acaso. Qual demiurgo que tudo orquestra e manipula, o realizador entrecruza magistralmente as várias narrativas paralelas desta síntese perfeita da nossa existência em finais do século XX. Leão de Ouro em Veneza e novo prodígio na direcção de actores, com o impressionante elenco a partilhar outro justíssimo galardão especial.
SHORT CUTS
OS AMERICANOS
15 de abril, 21h15
EUA, 1993 | Realização: Robert Altman / Argumento: Robert Altman e Frank Barhydt, livremente inspirado em contos e num poema de Raymond Carver / Produção: Cary Brokaw / Fotografia: Walt Lloyd / Direcção Artística: Jerry Fleming / Montagem: Suzy Elmiger e Geraldine Peroni / Música: Mark Isham / Interpretação: Andie MacDowell, Bruce Davison, Julianne Moore, Matthew Modine, Anne Archer, Fred Ward, Jennifer Jason Leigh, Chris Penn, Lili Taylor, Robert Downey Jr., Madeleine Stowe, Tim Robbins, Lily Tomlin, Tom Waits, Frances McDormand, Jack Lemmon, etc. / Duração: 187 minutos / Legendas: inglês. | »16 anos
De rajada, seguiu-se a aplicação do mesmo modelo ao universo da moda, com “Prêt-à-Porter/Pronto-a-Vestir” (1994), centrado na apresentação das colecções num desfile parisiense e na multiplicidade de histórias que gira à volta. Mais uma visão cáustica, bem ao jeito de Altman, viperino no olhar lançado aos estilistas, repórteres, editores de revistas, modelos ou fotógrafos que nos vai apresentando como representantes de um mundo postiço e superficial, onde todos se enganam e só parece haver espaço para a baixeza moral. Talvez devido ao “peso” do filme anterior, estamos perante um puro e luxuoso divertimento, mas nem por isso as marcas autorais deixam de estar presentes, do estilo solto e semi-improvisado à forma meramente marginal como a alargada galeria de personagens se relaciona, passando pelos diálogos paralelos e cruzados que apenas se apanham fugazmente e por uma espécie de “narração” contínua a servir de fio condutor. Não faltam sequer os dejectos caninos a fazer raccord com os cocós dos passarinhos em “Brewster McCloud”… Além disso, o virtuosismo do realizador está bem à mostra, como testemunha o magnífico plano-sequência inicial, que começa em Moscovo e termina, após um longo travelling, em Paris. E, claro, um dos máximos prazeres desta divertida comédia de costumes reside no fabuloso cast internacional de vedetas mais ou menos recentes, onde sobressaem Marcello Mastroianni e Sophia Loren, que recriam em deliciosa versão «madura» a célebre cena de striptease de “Ontem, Hoje e Amanhã” (1963), de Vittorio De Sica.
PRÊT-À-PORTER /
PRONTO A VESTIR
8 de abril, 21h15
EUA, 1994 | Realização: Robert Altman / Argumento: Robert Altman e Barbara Shulgasser / Produção: Robert Altman / Fotografia: Jean Lépine e Pierre Mignot / Direcção Artística: William Abello / Montagem: Suzy Elmiger e Geraldine Peroni / Música: Michel Legrand / Interpretação: Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Lauren Bacall, Julia Roberts, Rupert Everett, Kim Basinger, Sally Kellerman, Tim Robbins, Harry Belafonte, Anouk Aimée, Jean-Pierre Cassel, Forest Whitaker, Danny Aiello, Lili Taylor, Stephen Rea, Naomi Campbell, Cher, Björk, Ute Lemper, etc. / Duração: 127 minutos / Legendas: italiano. | »12 anos
Consagrado em definitivo como um dos decanos do cinema americano, foi já a partir dessa posição que Altman continuou a filmar quase ininterruptamente até à morte, sempre a escalpelizar, com a sua característica acerbidade (por vezes a roçar a misantropia), a natureza ambígua do que é ser-se humano. Exemplo disso é “Kansas City” (1996), crónica de poder e corrupção nos anos da Grande Depressão e, ao mesmo tempo, ode à terra natal do realizador e homenagem à música jazz da sua infância. A intricada intriga, de tons vagamente noir, ancora-se num par de excêntricas figuras femininas, uma flausina pouco instruída com tantas ilusões (só podia, é uma protagonista altmaniana) como dentes podres e uma socialite viciada em ópio, a que Jennifer Jason Leigh e Miranda Richardson dão corpo com inegável brilhantismo. Como terceiro vector fundamental, e noutro desempenho assinalável, o gangster negro de Harry Belafonte, melífluo e brutal. Entre duplos raptos e ruminações sobre classe e raça, emerge um dos principais temas do cineasta, o vínculo que une as mais altas esferas políticas ao submundo do crime, com os frequentes interlúdios musicais a funcionarem como “comentário” ao filme, influenciando inclusive o ritmo da acção, ora acelerando-a, ora abrandando-a.
KANSAS CITY
8 de abril, 19h
EUA, 1996 | Realização: Robert Altman / Argumento: Robert Altman e Frank Barhydt / Produção: Robert Altman / Fotografia: Oliver Stapleton / Direcção Artística: Richard L. Johnson / Montagem: Geraldine Peroni / Música: vários intérpretes, standards de jazz dos anos 1930 / Interpretação: Jennifer Jason Leigh, Miranda Richardson, Harry Belafonte, Dermot Mulroney, Steve Buscemi, Michael Murphy, Brooke Smith, Jane Adams, etc. / Duração: 111 minutos / Legendas: espanhol. | »12 anos
Neste período final da “segunda vida” de Altman, há ainda espaço para jóias preciosas e nenhuma cintilará tanto como a pérola que é “Gosford Park” (2001). Comentário social travestido de variação sobre o thriller segundo as roupagens de um whodunit à Agatha Christie, o filme segue a lógica upstairs/downstairs d’ “A Família Bellamy” ao reunir sob o mesmo tecto patrões e empregados durante um fim-de-semana assombrado por um assassinato. Os dotes coreográficos do realizador mantêm-se intactos, com uma câmara em constante movimento a seguir as deambulações de mais um grupo num cenário rigorosamente mapeado, neste caso, uma casa de campo inglesa nos anos 1930. Ou seja, o sistema de classes britânico a ser observado e dissecado com a fusão de crueldade e lucidez típica de Altman, juntando-lhe ainda uns pozinhos d’ “A Regra do Jogo” (1939) de Renoir, ou não tivesse o missuriano revelado desde o começo plena consciência da memória cinéfila (qualidade tristemente desaparecida no panorama actual da indústria americana). Uma espécie de testamento fílmico, antecipando o fim que chegaria não muito depois, com o elegíaco “A Praire Home Companion – Bastidores da Rádio” (2006). Belo fecho de obra e de vida.
GOSFORD PARK
1 de abril, 17h
EUA, 2001 | Realização: Robert Altman / Argumento: Julian Fellowes, a partir de uma ideia de Robert Altman e Bob Balaban / Produção: Robert Altman, Bob Balaban e David Levy / Fotografia: Andrew Dunn / Direcção Artística: Sarah Hauldren e John Frankish / Montagem: Tim Squyres / Música: Patrick Doyle / Interpretação: Maggie Smith, Michael Gambon, Helen Mirren, Kristin Scott Thomas, Stephen Fry, Alan Bates, Bob Balaban, Derek Jacobi, Richard E. Grant, Ryan Phillippe, Charles Dance, etc. / Duração: 137 minutos / Legendas: inglês. | »12 anos
AMIGO DA
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