Paula Rego, Deixa-me pintar-te uma história
Em 2025, a Casa da Moeda dá início a uma nova série dedicada artistas plásticos portugueses contemporâneos que, nas palavras do curador Manuel Costa Cabral, «puseram Portugal no seu tempo». A série abarca seis artistas, três homens e três mulheres. Três deles já morreram e residiram no estrangeiro, sendo herdeiros da cultura onde estavam inseridos. Os restantes três, ainda vivos, são artistas experimentais e não é ainda possível inseri-los numa escola ou estilo coletivo. A artista escolhida para inaugurar este novo e audacioso conjunto de moedas é Paula Rego.
Apresentação da moeda de Coleção dedicada à pintora pela Casa da Moeda
Pintora de histórias
Paula Rego (1935-2022), uma das mais importantes artistas portuguesas do século XX, deixou um legado inconfundível na história da arte nacional e internacional. Após estudar na Slade School of Fine Art, em Londres, Paula Rego desenvolveu uma linguagem artística única, combinando elementos do surrealismo, realismo e simbolismo. Inspirada por contos tradicionais e histórias infantis, muitas vezes reinterpretadas de forma subversiva, a artista criou mundos em que a fantasia e a realidade se entrelaçam, criando universos ricos em narrativas visuais e com grande densidade psicológica.
É precisamente essa força narrativa que inspira esta moeda desenhada pela joalheira Catarina Silva. No anverso, destaca-se o retrato de Paula Rego, com a frase evocativa «Deixa-me pintar-te uma história», resumindo a essência da sua obra. No reverso, figura um elemento retirado da obra preferida da pintora, O Anjo (1998) — um braço empunhando uma espada e outro segurando uma esponja. Nas palavras de Catarina Silva: «As mãos aqui retratadas são o centro nevrálgico deste quadro, portadoras de uma espada e uma esponja, símbolos da Paixão de Cristo e do seu poder castigador. Mas as mãos são também as mãos da artista, as mãos que pegam no pincel com a sua força geradora. Juntando os dois braços do quadro, criei como que um emblema heráldico em V, símbolo do vigor criativo de Paula Rego.»
Além da sua abordagem inovadora à arte narrativa, Paula Rego utilizou a sua obra como ferramenta de comentário social e político. Na década de 1990, a sua série sobre o aborto, comovente e visceral, teve um impacto significativo na luta pelos direitos reprodutivos em Portugal, dando voz às mulheres em situações de vulnerabilidade. Esse compromisso com a denúncia das injustiças reforçou a relevância da artista não só como pintora, mas como agente de transformação cultural e social.
A escolha de Paula Rego para inaugurar esta série de moedas é uma celebração do seu contributo para arte e para a história portuguesas. A sua obra, multipremiada e que transcende fronteiras, encontra-se em instituições como a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, o Centro de Arte Moderna, de Fundação Calouste Gulbenkian, e em importantes coleções internacionais. Esta peça em sua homenagem, com as suas representações cuidadosas, simboliza não apenas a grandeza artística de Paula Rego mas também o poder inesgotável das histórias — as que ela contou e as que, durante muito tempo, inspirará a contar.
Detalhes técnicos da moeda
Paula Rego




