A participação de Elvis Presley no cinema norte-americano constitui um capítulo singular da cultura popular dos Estados Unidos da América nas décadas de 1950 e 1960. Embora tenha alcançado fama mundial sobretudo como cantor e intérprete de rock and roll, Elvis procurou também construir uma carreira cinematográfica que ampliasse a sua projeção pública e consolidasse a sua imagem como ícone do entretenimento de massas. Os filmes Jailhouse Rock (1957), King Creole (1958), G.I. Blues (1960), Blue Hawaii (1961), Girls! Girls! Girls! (1962), Roustabout (1964) e Paradise, Hawaiian Style (1966), que são exibidos pela Fundação D. Luís I no Auditório do Centro Cultural de Cascais, permitem acompanhar a evolução dessa trajectória.
Elvis no Cinema
Nos seus primeiros anos em Hollywood, Elvis participou em filmes que procuravam explorar o seu talento dramático e a energia rebelde associada ao rock and roll. Jailhouse Rock apresenta a história de um jovem problemático que encontra na música um caminho para o sucesso. O filme tornou-se emblemático pela famosa sequência musical da canção homónima, frequentemente considerada uma das mais influentes da história do cinema musical.
Já King Creole, de Michael Curtiz, um realizador com uma obra recheada de êxitos, é geralmente visto como uma das melhores interpretações de Elvis enquanto actor. A obra retrata um jovem envolvido em conflitos familiares e no mundo do crime, revelando uma dimensão dramática mais complexa do que aquela que caracterizaria muitos dos seus filmes posteriores.
Após o serviço militar, a carreira cinematográfica de Elvis entrou numa nova fase: G.I. Blues marcou o início de uma fórmula que se revelaria extremamente lucrativa – histórias leves, cenários exóticos, romances descomplicados e uma grande quantidade de números musicais. O protagonista, um soldado americano estacionado na Europa, permitia associar a imagem patriótica de Elvis à sua popularidade como cantor.
Esta fórmula atingiu um dos seus maiores êxitos com Blue Hawaii. O filme explora paisagens paradisíacas, música descontraída e uma narrativa romântica simples, estabelecendo um modelo que seria explorado em diversas produções que lhe sucederam. O enorme êxito comercial da obra demonstrou que o público procurava nos filmes de Elvis, mais do que interpretações dramáticas exigentes, uma experiência de entretenimento de pendor leve e optimista.
Filmes como Girls! Girls! Girls! aprofundam essa tendência. A narrativa centra-se em aventuras românticas e musicais, servindo sobretudo como veículo para novas canções e para a manutenção da imagem carismática do artista. Da mesma forma, Roustabout apresenta Elvis integrado num circo itinerante, combinando música, romance e comédia. Embora a crítica frequentemente considerasse estas produções previsíveis e sem grande qualidade artística, elas mantinham uma grande popularidade junto do público e contribuíam para a venda das bandas sonoras associadas.
Por sua vez, Paradise, Hawaiian Style evidencia os limites da fórmula adoptada pelos estúdios. Produzido numa fase em que o mercado cinematográfico e musical começava a mudar rapidamente, o filme retoma elementos já explorados em Blue Hawaii: cenários tropicais, enredo romântico e forte presença musical. Contudo, a repetição de temas e situações revela uma certa estagnação artística que acabaria por afectar a reputação cinematográfica de Elvis durante a segunda metade da década de 1960.
No conjunto, a carreira cinematográfica de Elvis Presley ilustra a estreita relação entre a indústria musical e a indústria do cinema na cultura de massas norte-americana do pós-guerra. Os seus primeiros filmes demonstram potencial dramático e contribuem para a legitimação do rock and roll no grande écran. Já as produções posteriores privilegiam o entretenimento comercial, transformando Elvis numa marca reconhecível e rentável. Embora muitos dos seus filmes não sejam hoje considerados obras significativas do cinema americano, eles desempenharam um papel importante na difusão da sua imagem e ajudaram a consolidar o estatuto de Elvis Presley como um dos maiores ícones da cultura popular do século XX.
O Conselho Directivo da Fundação D. Luís I
Programação do Ciclo de Cinema do Elvis Presley
Auditório do Centro Cultural de Cascais
Jailhouse Rock/
Os Prisioneiros do Rock and Roll
(1957), de Richard Thorpe
Auditório do Centro Cultural de Cascais
King Creole
(1958), de Michael Curtiz
Auditório do Centro Cultural de Cascais
G.I. Blues
(1960), de Norman Taurog
Auditório do Centro Cultural de Cascais
Blue Hawaii/
Feitiço Havaiano
(1961), de Norman Taurog
Auditório do Centro Cultural de Cascais
Girls! Girls! Girls! /
Garotas! Garotas! Garotas!
(1962), de Norman Taurog
Auditório do Centro Cultural de Cascais
Roustabout /
Romance no Luna Park
(1964), de John Rich
Auditório do Centro Cultural de Cascais
Paradise Hawaiian Style /
Paraíso Havaiano
(1966), de Michael D. Moore
2026, o Ano de Todos os Géneros
Janeiro – WESTERN
A Quadrilha Selvagem/ The Wild Bunch (1969), de Sam Peckinpah; A Noite Fez-se para Amar/ McCabe and Mrs. Miller (1971), de Robert Altman; Johnny Guitar (1953), de Nicholas Ray; Duelo no Deserto/The Shooting (1966), de Monte Hellman
Fevereiro – COMÉDIA
As Férias do Senhor Hulot/Les Vacances de Monsieur Hulot (1953), de Jacques Tati; Dr. Estranho Amor/Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964), de Stanley Kubrick; Vejo Tudo Nu/Vedo nudo (1969), de Dino Risi; Annie Hall (1977), de Woody Allen
Março – MELODRAMA
O Monte dos Vendavais/Wuthering Heights (1939), de William Wyler; Fúria de Viver/Rebel Without a Cause (1955), de Nicholas Ray; O Grande Amor da Minha Vida/ An Affair to Remember (1957), de Leo McCarey; O Meu Maior Pecado/The Tarnished Angels (1957); Longe do Paraíso/Far From Heaven (2002), de Todd Haynes
Abril – MUSICAL
Serenata à Chuva/Singing in the Rain (1952), de Stanley Donen e Gene Kelly; A Roda da Fortuna/The Band Wagon (1953), de Vincente Minnelli; Velvet Goldmine (1998), de Todd Haynes; As Canções de Amor/ Les chansons d’amour (2007), de Christophe Honoré
Maio – GUERRA
Baionetas Caladas/Fixed Bayonets! (1951), de Samuel Fuller; O Caçador/The Deer Hunter (1978), de Michael Cimino; Apocalypse Now – Final Cut (1979/2019), de Francis Ford Coppola; Estado de Guerra/The Hurt Locker (2008), de Kathryn Bigelow
Junho – THRILLER
O Tesouro da Sierra Madre/The Treasure of the Sierra Madre (1948), de John Huston; Ferro em Brasa/Charley Varrick (1973), de Don Siegel; Blow Out – Explosão/Blow Out (1981), de Brian De Palma; O Jogo/The Game (1997), de David Fincher; Eu Vi o Diabo/I Saw the Devil (2010), de Kim Jee-woon
Julho – ANIMAÇÃO
Pantera Cor-de-Rosa/The Pink Panther Cartoons (1964-65), de Friz Freleng e outros; O Estranho Mundo de Jack/Tim Burton’s The Nightmare Before Christmas (1993), de Henry Selick; Looney Tunes: De Novo em Acção/Looney Tunes: Back in Action (2003), de Joe Dante; Belleville Rendez-Vous/Les triplettes de Belleville (2003), de Sylvain Chomet
Agosto – DOCUMENTÁRIO
Punishment Park (1971), de Peter Watkins; Grey Gardens (1975), de Albert Maysles e David Maysles; O Homem dos Músculos de Aço/Pumping Iron (1977), de George Butler e Robert Fiore; Burden of Dreams (1982), de Les Blank; Donos de Estimação/Best in Show (2000), de Christopher Guest
Setembro – FICÇÃO CIENTÍFICA
O Dia em que a Terra Parou/The Day the Earth Stood Still (1951), de Robert Wise; Estrela Negra/Dark Star (1974), de John Carpenter; Aliens: O Recontro Final/Aliens (1986), de James Cameron; Planeta dos Macacos/Planet of the Apes (2001), de Tim Burton
Outubro – TERROR
Frankenstein (1931), de James Whale; Psico/Psycho (1960), de Alfred Hitchcock; A Vítima do Medo/Peeping Tom (1960), de Michael Powell; A Noite dos Mortos-Vivos/Night of the Living Dead (1968), de George A. Romero
Novembro – POLICIAL
Relíquia Macabra/The Maltese Falcon (1941), de John Huston; À Beira do Abismo/The Big Sleep (1946), de Howard Hawks; Os Incorruptíveis Contra a Droga/The French Connection (1971), de William Friedkin; A Fúria da Razão/Dirty Harry (1971), de Don Siegel; O Profissional/The Driver (1978), de Walter Hill
Dezembro – SUSPENSE
Mentira/Shadow of a Doubt (1943), de Alfred Hitchcock; Que Teria Acontecido a Baby Jane?/What Ever Happened to Baby Jane (1962), de Robert Aldrich; O Obcecado/The Collector (1965), de William Wyler; O Plano/A Simple Plan (1998), de Sam Raimi
AMIGO DA
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