A Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa tem origem em meados do século XVIII. O seu fundador, o Reverendo Ângelo de Sequeira, natural de São Paulo, no Brasil, grande devoto e difusor do culto de Nossa Senhora da Lapa, ergueu, no monte de Germalde, no Porto, uma igreja a ela dedicada.
Meses depois, recebeu para a Capela de Nossa Senhora da Lapa das Confissões a imagem de Nossa Senhora da Lapa. Nesse pequeno santuário, o missionário fundador ouvia de confissão os ladrões arrependidos que, após se confessarem, restituíam discretamente os bens furtados, sem serem notados.
A afluência de fiéis cresceu visivelmente e o Reverendo decidiu construir uma igreja de maiores dimensões, dedicada a Nossa Senhora da Lapa. A primeira pedra terá sido lançada a 17 de julho de 1756. A construção efetiva demorou mais algum tempo, com avanços e recuos, até que, em agosto de 1759, foi encomendado a José de Figueiredo Seixas (?-1773) o projeto definitivo.
O processo de construção do templo foi lento e avançou ao ritmo das disponibilidades financeiras. A autorização episcopal para a dedicação solene da igreja ocorreu apenas em 20 de abril de 1799. A inauguração realizou-se a 5 de maio de 1799, primeiro domingo de maio, mês tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora.
Paralelamente, decorreu o processo de criação da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa. A sua instauração foi aprovada pelo Papa Bento XIV, em 29 de julho de 1755, e os seus Estatutos definitivos foram aprovados em 1759.
A Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa nasceu como instituição religiosa, mas cedo alargou a sua ação a outras áreas de intervenção social e educativa, concretizando vários dos desígnios do seu fundador, expressos na obra Botica Preciosa e Thesouro Precioso da Lapa, onde manifestava o desejo de «achar todos os remédios para o corpo, para a alma e para a vida».
Irmandade da Lapa
DO PORTO A CASCAIS
A Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa vive atualmente um momento de renovada afirmação da sua identidade religiosa, histórica e cultural, mantendo viva uma tradição iniciada em meados do século XVIII. Ao longo dos séculos, a instituição soube preservar o ideal fundador de procurar «remédios para o corpo, para a alma e para a vida».
A Igreja de Nossa Senhora da Lapa continua a ocupar um lugar central na vida espiritual e patrimonial da cidade do Porto. Espaço de profunda devoção mariana, o templo distingue-se igualmente pela riqueza artística e histórica do seu património.
Também o Cemitério da Lapa permanece como um espaço de elevado valor histórico, artístico e cultural.
Paralelamente, a Irmandade tem desenvolvido um importante trabalho de valorização do seu património artístico e documental.
A dimensão cultural da Irmandade tem conhecido um dinamismo crescente, através da promoção de concertos, iniciativas de música sacra, investigação histórica e atividades de divulgação patrimonial, reforçando a abertura da Lapa à comunidade e ao turismo cultural.
Ao mesmo tempo, mantém-se viva a vocação assistencial da instituição, simbolizada pelo Hospital da Lapa, expressão de uma tradição de solidariedade e serviço à comunidade que continua a marcar a ação da Irmandade.
Deste modo, a Lapa continua a afirmar-se como uma das mais relevantes instituições da cidade do Porto — lugar de fé, memória, cultura e serviço à comunidade.
Igreja da Lapa
A primeira pedra da Igreja de Nossa Senhora da Lapa foi lançada a 17 de julho de 1756. O projeto, de inspiração neoclássica com elementos rococó, é da autoria do arquiteto José de Figueiredo Seixas. A capela-mor ficou concluída em 1773 e, em 1779, o templo foi dedicado a Nossa Senhora da Lapa. Contudo, as obras prolongaram-se por mais de um século, terminando apenas em 1863. O interior apresenta nave única, coberta por abóbada de berço. A fachada principal desenvolve-se em dois pisos, rematados por um frontão triangular e ladeados por duas torres sineiras. No altar-mor encontra-se o grande painel O Presépio de Belém, da autoria de Joaquim Rafael (1783–1864), executado entre 1810 e 1825. Ainda no altar-mor, do lado do Evangelho, conserva-se o coração de D. Pedro IV (1798–1834), guardado na Igreja desde 1835. No coro-alto destaca-se um vitral executado em 1931 por Ricardo Leone, representando episódios da vida de Cristo, que enquadra o Monumental Órgão de Tubos, inaugurado em 1995. Com mais de dois séculos e meio de existência, a Igreja da Lapa tem sabido adaptar-se e renovar-se, afirmando-se simultaneamente como lugar de culto e como espaço de cultura, arte e história. Em 2013, a Igreja da Lapa foi classificada como Imóvel de Interesse Público exaltando a sua relevância para a cidade do Porto e para o património nacional.
Casa da Irmandade e Galeria dos Retratos
O edifício adjacente à Igreja da Lapa constitui um acrescento à Igreja e foi construído no início do século XX. Inaugurado a 3 de maio de 1915, foi projetado pelo arquiteto José Marques da Silva (1869–1947) que se notabilizou pela Estação de S. Bento, Teatro S. João e Casa de Serralves (edifícios emblemáticos da cidade do Porto). Esta construção integra a Galeria dos Retratos, espaço que homenageia figuras que se distinguiram ao longo da História da Irmandade da Lapa, através da exposição dos retratos de diretores, provedores e benfeitores que contribuíram para o desenvolvimento da instituição e é, do ponto de vista artístico, um exemplo de arte nova e da arquitetura do ferro, destacando-se a sua cobertura e o ladrilho com diferentes padrões e cores. Integra igualmente o Salão Nobre, espaço emblemático da Venerável Irmandade, onde se realizam as reuniões mensais da Mesa Administrativa e as sessões da Assembleia Geral.
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




