Grandes Obras da Literatura Universal
O absurdo, o desencontro, a fragmentação do eu e o fantástico são temas constantes da ficção de Ruben A., ele próprio uma “personagem” singular. “Foi uma das pessoas mais originais que conheci na vida, disse dele Eduardo Lourenço. Na conferência preferida em janeiro de 1969, o autor relacionou a sua escrita com o surrealismo. “Há aqui um desequilíbrio quase surrealista – não: bem surrealista, um contraponto do absurdo que é o desfilar de imagens em que o artista é simultaneamente recetor e transmissor”.
A edição de A Torre da Barbela, em 1964, após ter sido recusada por sete editoras, evidencia a forte determinação do autor em que o livro fosse publicado e, eventualmente, não terá sido consensual a atribuição do Prémio Ricardo Malheiros pela Academia das Ciências de Lisboa ao romance avant-garde que veio desassossegar o panorama literário português quer pela abordagem crítica de Portugal, quer pelo estilo. É uma “Grande Obra da Literatura Universal”, assim reconhecida a nível académico, mas que ainda é ignorada pela generalidade dos leitores. Urge dar conhecê-la.
PAULA OLEIRO
Mestre em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea pela Faculdade de Letras de Lisboa, com a tese “Bipolaridades no mundo romanesco de A Torre de Barbela, de Ruben A,”, e licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela mesma Faculdade, tem exercido a docência de Literatura Portuguesa e orientado cursos de formação nas áreas de Literatura e Artes Plásticas para Professores,
bem como cursos livres no Centro Nacional de Cultura, na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves e na Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Na qualidade de investigadora, tem proferido conferências nas áereas da Literatura Portuguesa e na relação entre a Literatura e as Artes Plásticas, dinamizado passeios literários e publicado artigos nas revistas Cadernos de Telheiras, Modernista, Nova Águia e CCI Cascais Interartes / Crossroad of the Arts nas áreas mencionadas

