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Memórias

MEMÓRIAS DE EÇA DE QUEIROZ EM CASCAIS 


memorias_Untitled-1A Cidadela de Cascais



Quando D.Luís I, em 1870, escolheu a Cidadela de Cascais para paço real, nos meses de verão, a corte seguiu-lhe os passos. Até esta data, Cascais era quase inexistente nos roteiros e hábitos de vilegiatura oitocentistas.

 

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 D. Carlos na Cidadela de Cascais



Com a morte do rei e a sucessão ao trono de seu filho, D. Carlos, Cascais, com a adjacência dos Estoris - afirmava o escritor Henrique de Vasconcelos a Raul Brandão - "Era a corte na intimidade, em robe-de-chambre, mais fáceis as relações, mais acessíveis e amáveis, tu cá tu lá.(...) O D. Carlos fazia vida higiénica de madrugador, tirava fotografias, pintava ligeiramente algumas marinhas, sentindo o mar. Logo de manhã, saía de carro, com chuva ou com sol (demorava-se até meados de Novembro em Cascais)..." 

                                                                                                                                                                   

memorias_Untitled-3Fachada do e edifício do Sporting Club  de Cascais, hoje Museu do Mar - D. Carlos I



O centro da vida social e desportiva das elites centrava-se no Sporting Club de Cascais, a Parada, "capital do reino de Cascais".
Inaugurado em 15 de Outubro de 1879, era impressionante a sua lista de sócios. 


Para além do próprio rei D. Carlos e do infante D. Afonso, e da aristocracia copiosa, pertenceram a este clube políticos de primeira linha (Fontes Pereira de Melo, Barros Gomes, Serpa Pimentel, Dias Ferreira, Ferreira do Amaral), membros do corpo diplomático creditado em Lisboa, militares prestigiados (Hermenegildo Capelo, Aires de Ornelas, Paiva Couceiro), escritores (Camilo Castelo Branco, Marcelino Mesquita), financeiros (Henry de Burnay, Jorge O'Neill, Manuel de Castro Guimarães), o eminente historiador lusófilo Edgar Prestage (genro da escritora Maria Amélia Vaz de Carvalho),   o grande fotógrafo Joshua Benoliel, a elite local (Jaime Artur da Costa Pinto, José Passos Vela, Carlos Anjos, José Viana da Silva Carvalho). Registemos, ainda, a presença do pai de Eça, o juiz conselheiro (e antigo deputado do Partido Progressista) José Maria de Almeida Teixeira de Queiró

 

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D. Carlos I, presidindo a uma distribuição de troféus, no Sporting Club de Cascais



Dos Onze Vencidos da Vida, pelo menos quatro tinham casa de veraneio em Cascais, própria ou arrendada: Ficalho, Sabugosa, Arnoso e Lobo d'Ávila. Quanto aos restantes elementos do grupo, as referências mais importantes, que atestam a sua permanência ou deslocação à vila de Cascais, dizem respeito a Ramalho, Eça e Oliveira Martins.

memorias_Untitled-5Hotel Globo


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Casino da Praia e a Casa de Maria Amália Vaz de Carvalho 


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O Conde de Arnoso e sua mulher,  Matilde, na "Casa de S. Bernardo" 



Por diversas vezes, Eça hospedou-se em Cascais, no Hotel Globo, frente à Baía, ou na Casa de S. Bernardo (situada na Estrada da Boca do Inferno), pertencente ao Conde de Arnoso, Bernardo Pindela.      


Carta de Eça de Queirós ao Conde de Arnoso" (fragmento)  

 

Meu querido Bernardo... Não quero  eternizar esta epístola. Por isso não te digo a saudade com que penso na varanda de Cascais e nas preguiçosas manhãs passadas a pasmar para a luz e para a água, nas cavaqueiras com a prima Matilde, e nas noitadas em que sob o silêncio e a penumbra propícia decidíamos os grandes problemas. Imagino que toda essa delícia aí se está repetindo, e que tem havido na varanda todas as cousas boas, vós, Sabugosas, luar, frescura do mar, e um bocado de guitarra. Dá mil saudades a todos esses queridos amigos da varanda.

(Paris, 25-7-1896)

memorias_Untitled-8"Casa de S. Bernardo"
"Dá mil saudades a todos esses queridos amigos da varanda". Eça a Arnoso, 1896


Carta de Eça de Queirós a sua mulher, Emília. (fragmento)


Cascais, 11 de Maio, 1898
Minha querida Emília

Estou aqui há dois dias, não tenho ido para o Estoril, como te anunciava, porque o Hotel do Estoril me foi denunciado como cheio de gente doente, e pouco asseado. O Bernardo já aqui está, mas eu, por três ou quatro dias, preferi estar no Hotel, que, ainda , vazio, e já lavado para a próxima Estação , é bastante confortável.
Estou, graças a Deus, melhor, mas ainda bronquítico. Além disso, ontem, por equívoco e más informações, dei um passeio tremendo (perto de 14 quilómetros) sob um sol ardente e uma nortada furiosa à busca do Pinhal da Guia!  Cheguei derreado. E estou ainda hoje amarfanhado. O tempo resplandecente como sol  mas desesperado como vento. Cascais é a caverna do velho Éolo, rei dos Aquilões.(...)    

Também a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho abriu os salões da sua casa, de Cascais, ao convívio literário-mundano dos escritores do seu tempo e a Eça de Queirós.


memorias_Untitled-9Casa de Maria Amália Vaz de Carvalho



Texto de Maria Amália Vaz de Carvalho
"Eça de Queirós- O Homem e o Artista". (fragmento)

 
Foi há poucos dias que eu recebi aqui em Cascais, na pequena casa à beira do Oceano, em que escrevo estas linhas, a súbita notícia da morte de Eça de Queirós. Tinha chegado um telegrama com a nova fatal e por acaso fui eu das primeiras pessoas a sabê--la.
Como exprimir a pena profunda, a mágoa sem  nome, que  a minha alma sentiu!(...)
(...) Corroía-o um mal invisível a que só ele não prestava atenção.
E, no entanto, passado o primeiro instante em que ao vê-lo, a gente se quedava assustada e triste, era tal o encanto daquela palavra colorida, imprevista, cáustica, sem maldade, pitoresca e vária, que os ouvintes, fascinados, não podiam mais lembrar-se de que era um doente que os estava deslumbrando assim. Esqueciam tudo no deleite incomparável de o admirar. (...) Eça ouvia com maravilhosa e insinuante graça; dele, a conversa nunca foi um monólogo. Era na réplica principalmente que o seu espírito incisivo e ágil seduzia e encantava. (...)

A missa por alma de Eça de Queirós foi mandada dizer por seus pais, na Igreja da Misericórdia de Cascais

   
memorias_Untitled-10Igreja da Misericórdia de Cascais


 

Carta do Conde de Arnoso a D. Emília de Castro, viúva de Eça de Queirós. (fragmento)

"Aqui nesta casa de que tanto ele gostava, tudo me recorda o querido José Maria. Não há cadeira, não há lugar em que eu não (o) veja." 
 


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