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SOB O MANTO DE N.ª SENHORA

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Coleções de Arte Russa em Portugal

 

Sob o Manto de Nª Senhora

 


MUSEU DE SÃO ROQUE, 21 SETEMBRO A 24 NOVEMBRO 2019

 

Nos museus portugueses encontram-se vários exemplares de arte russa, de raiz bizantina, sendo os principais núcleos o legado de Ana Maria Pereira da Gama, doado ao Museu Nacional Grão Vasco (Viseu), que integra cerca de duas centenas de peças, e o legado de Pedro Vieira da Fonseca, doado ao Museu Condes de Castro Guimarães (Cascais), que consta de dezassete ícones.

A exposição Sob o Manto de Nossa Senhora – Coleções de Arte Russa em Portugal, no Museu de São Roque, em Lisboa, reúne mais de meia centena de ícones russos de temática mariana, dos dois maiores legados de arte russa em Portugal.

A mostra reúne deslumbrantes peças de arte russa, com inigualável riqueza visual, representativas de uma intensa veneração de um povo que crê que o Manto de Nossa Senhora o protege, mesmo em épocas dramáticas. Ao Cristianismo associou-se a teologia do ícone, oriunda de Bizâncio, cidade da Antiga Grécia.

O calendário da igreja ortodoxa russa homenageia cerca de 260 imagens milagrosas de Nossa Senhora, existindo naquele país cerca de 860 diferentes iconografias marianas.

Sob o Manto de Nossa Senhora – Coleções de Arte Russa em Portugal resulta de uma parceria, entre a Fundação D. Luís I e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (Museu de São Roque), proposta pelo Centro de Arte e Cultura Russa e com o apoio da Câmara Municipal de Cascais (Museu Condes de Castro Guimarães) e da Direção Geral do Património Cultural (Museu Nacional Grão Vasco).

 

 

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Ícones Russos no Museu de São Roque

 

A exposição Sob o Manto de Nossa Senhora – Coleções de Arte Russa em Portugal reflete a devoção e a fé de um povo que escolheu a arte dos ícones para dar a conhecer a importância que atribui à religião na sua vida quotidiana.

A divulgação dos ícones russos tem vindo a ser uma aposta da Câmara Municipal de Cascais e da Fundação D. Luís I desde há uns anos. Além do Legado do Dr. Pedro Vieira da Fonseca, instalado no Museu Conde de Castro Guimarães, ao dispor dos visitantes deste espaço, em 2016, em colaboração com o Museu Nacional Grão Vasco, foram apresentados no Centro Cultural de Cascais vários ícones russos raramente vistos pelo público, pertencentes às reservas deste museu de Viseu (Legado Pereira da Gama).

 

No ano seguinte, foi criado o Centro de Arte e Cultura Russa, sob coordenação da Dra. Irina Marcelo Curto, com o objetivo de desenvolver o estudo, a conservação e a divulgação da arte e cultura russa em museus e coleções particulares em Portugal, no qual ganha relevância o trabalho de peritagem técnica e consultadoria sobre peças de iconografia russa, assim como o intercâmbio entre museus, universidades e outras entidades culturais portuguesas, russas e de vários outros países. Da fé e da arte nasceram, deste modo, sinergias entre dois povos que ocupam extremos oriental e ocidental da Europa.

É a primeira vez que a Câmara Municipal de Cascais e a Fundação D. Luís I colaboram com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em termos de uma atividade artístico-cultural com esta envergadura, esperando eu que isso venha a ser o início de uma parceria cada vez mais proveitosa.

Não poderia terminar sem um profundo agradecimento ao Embaixador Luís Filipe Castro Mendes, antigo Ministro da Cultura, à Doutora Graça Fonseca, atual Ministra da Cultura, e à Dra. Odete Paiva, diretora do Museu Nacional Grão Vasco, bem como, naturalmente, ao Dr. Edmundo Martinho, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, à Dra. Margarida Montenegro, Diretora de Cultura da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e à Dra. Terena Morna, Diretora do Museu de São Roque.
É para a Câmara Municipal de Cascais e para a Fundação D. Luís I um enorme orgulho e honra poderem integrar a organização desta exposição de obras ímpares de grandes pintores iconográficos no Museu de São Roque, em Lisboa.

 

Carlos Carreiras
Presidente da Câmara Municipal de Cascais

 

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Sob o Manto de Nossa Senhora
Coleções de Arte Russa em Portugal

 

A exposição Sob o manto de Nossa Senhora. Coleções de arte russa em Portugal que resulta de parceria entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Fundação D. Luis I e o Centro de Arte e Cultura Russa tem como base duas doações privadas feitas a museus públicos: a de Ana Maria Pereira da Gama ao Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu e a de Pedro Vieira da Fonseca ao Museu Municipal dos Condes de Castro Guimarães, em Cascais.

A doação é talvez a forma mais importante de enriquecimento ou mesmo de criação de um museu. Ao longo de uma vida, um colecionador reúne criteriosamente um conjunto de peças que, dispostas numa coleção organizada, assume, por vezes, uma importância tal que não se pode sujeitar à natural efemeridade da vida do colecionador que a criou. Surgem assim as doações aos museus ou a criação de museus com a tarefa precisa de conservar e divulgar coleções pré-existentes. O museu assume-se deste modo, como a instituição que assegura a perpetuidade da coleção que, de outra forma, iria dispersar-se, com prejuízo para a comunidade, como tantas vezes aconteceu. Em Portugal, sem falar de casos paradigmáticos no Reino Unido ou nos Estados Unidos da América, temos também, exemplos de importantes coleções privadas que geraram museus de fruição pública – Calouste Gulbenkian, Ricardo Espirito Santo Silva, António Medeiros e Almeida, Anastácio Gonçalves – instituições com vida e personalidade próprias, que assumem um importante papel social, educativo, cultural e económico ao ponto de não ser hoje aceitável a sua dispersão, mesmo que a sua sustentação económica, por vezes, vacile.

Para além do caso do espólio da Igreja e Casa Professa de São Roque, que deu origem ao atual Museu de São Roque, sistematicamente enriquecido pelo contributo de diversos beneméritos à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem, na sua história, dois importantes contributos para a preservação e acessibilidade de duas coleções privadas cuja dispersão seria prejudicial para a cultura nacional. O primeiro é a entrada na administração da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, provavelmente o mais importante museu de artes decorativas nacional, com peças de inegável valor e que foi, durante décadas, fundamental para o restauro, conhecimento e formação das técnicas tradicionais ligadas à arte. O segundo é a Coleção Francisco Capelo, que dará origem à Casa Ásia, que se tornará num centro de cultura aberta a todos onde o diálogo intercultural irá concretizar-se.

Esta partilha de culturas e entendimentos mútuos, essencial num mundo globalizado, tem sido um pilar fundamental na escolha dos temas da Galeria de Exposições Temporárias do Museu de São Roque. A exposição "Sob o manto de Nossa Senhora" não será exceção. Dedicada às várias imagens icónicas da Virgem Maria, que no calendário da Igreja Ortodoxa Russa integra cerca de 260 imagens, mas que ascende a 860 diferentes iconografias marianas, aborda a mais importante devoção do povo russo – Santa Maria – cujo manto continua a protegê-lo. A veneração destas imagens marianas conduz-nos a sucessivas páginas dramáticas da História russa, lembradas em crónicas, novelas históricas, narrações, e em serviços litúrgicos especiais que glorificam os ícones de Nossa Senhora. A exposição que agora se apresenta é pois uma ponte entre as duas extremidades da Europa, ligadas por comerciantes ainda no reinado de D. João V, e com representação diplomática há precisamente 240 anos.

 

Edmundo Martinho
Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

 

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Coleção de Ícones Russos

do Museu Nacional Grão Vasco

 

O ícone é parte integrante da cultura da Europa, com uma forte expressão durante a Idade Média, perdurou muito para além dela. Neste vasto território e ampla cronologia surgem diferenças que permitem estabelecer características distintivas entre a produção desenvolvida. As especificidades na linguagem visual são as mais evidentes, mas nem só estas permitem diferenciar a tradição da Europa Ocidental, da tradição eslava, na qual a Russa se integra.

O Museu Nacional Grão Vasco recebeu, em 2012, uma importante coleção de ícones e objetos religiosos da tradição cristã ortodoxa eslava, como parte integrante do Legado de Ana-Maria Pereira da Gama. Esta circunstância transformou o Museu Nacional Grão Vasco numa referência para este tipo de arte, possuindo o conjunto mais vasto e expressivo existente em museus portugueses. Esta situação criou também um novo campo de investigação que se tem revelado atrativo e levado a um maior conhecimento sobre a coleção.

O Legado Pereira da Gama, como tem vindo a ser designado, no que se refere aos ícones e ao conjunto de objetos de uso ritual ou devocional, foi estruturado de acordo com as seguintes tipologias:
- Prefigurações – referências proféticas que antecederam a Encarnação de Deus, das quais se destaca a representação da Santís¬sima Trindade;
- Theotokos - Mãe de Deus – variantes da Virgem com o Menino;
- Revelação de Cristo – três tipos de representações: Emanuel "Deus Connosco"; Santa Face impressa no "Mandylion" e "Pantocrator";
- Ícones de Santos – tipologias de entidades veneradas pela Igreja: anjos e arcanjos, patriarcas, mártires, teólogos, bispos, monarcas, ascetas e monges;
- Menológios e calendários festivos – reportam celebrações canónicas e litúrgicas narradas nos Evangelhos e textos apócrifos, referentes à vida de Cristo, da Virgem ou dos Santos;
- Cruzes de abençoar e engolpions – elementos distintivos da dignidade eclesiástica que assumem também significado como objetos prote¬tores.

Com a exposição que agora se apresenta "Sob o manto de Nossa Senhora – Coleções de arte russa em Portugal" pretende-se contribuir para uma melhor compreensão da arte religiosa russa e estabelecer uma relação com a da Europa ocidental. Esta exposição surge do interesse manifestado pelo Centro de Arte e Cultura Russa em estudar a coleção do Museu Nacional Grão Vasco e da vontade em apresentar uma reflexão sobre um património comum, que se mostra enriquecido pelos resultados da investigação desenvolvida pela Dra. Irina Marcelo Curto, pelo Professor Vitor Serrão e pelo Dr. Sérgio Gorjão.

Esta exposição reflete também a importância da cooperação institucional, na realização de projetos culturais, demonstrada pelo especial envolvimento da Fundação D. Luís I, do Centro de Arte e Cultura Russa e do Museu de S. Roque, assim como o apoio da Fundação Millennium BCP e da DGPC/Museu Nacional Grão Vasco para o estudo e conservação das peças e para o cumprimento da vontade da doadora, disponibilizando-as ao público.

 

Odete Paiva
Diretora do Museu Nacional de Grão Vasco

 

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História, Morfologia e Sentido Espiritual
dos Ícones Eslavo-Bizantinos

 

O Museu de São Roque em boa hora acolhe uma exposição dedicada aos ícones russos que, em Portugal, ainda dispõe de pouca evidência, investigação, publicação e exposição.
"Sob o Manto de Nossa Senhora – Coleções de Arte Russa em Portugal" é um título sugestivo que nos remete para múltiplas dimensões – culturais, artísticas e devocionais.
O manto azul por regra, representa a imensidão do espaço sob o qual todos os seres se podem acolher, manto este que tem tanto de vasto e infinito, como de ínfimo e íntimo. O "manto" é uma espécie de instrumento, um meio hábil, que se torna eficiente e "protetor" pela compaixão e misericórdia da Virgem Maria, simultaneamente mãe de Jesus e, como tal, mãe de Deus e dos Homens. Este "manto" torna-se assim, equivalente ao refúgio à casa, à defesa, à cidadela inexpugnável, o mais íntimo recolhimento, o "habitar" feito proteção, mas, nos tempos que correm, podemos também considerá-lo como o meio ambiente em que nos movemos.
"Nossa Senhora" surge nos ícones, como a mãe matricial a quem todos se socorrem, uma intercessora junto de seu filho / Deus, marcada por um forte sentimento de esperança que permeia múltiplas gerações e ambientes culturais até aos nossos dias.
Mesmo para quem não é devoto, a marca cultural e artística referente à Virgem Maria é recorrente e não deixa de ser, em grande medida, um dos traços da cultura dita "ocidental", independentemente das múltiplas tradições religiosas que se formaram a partir do lastro do cristianismo.
Esta imagem da Mãe de Deus e do seu manto protetor, passa à arte como uma representação de uma "realidade" sensível e emocional, simultaneamente manifestações imanentes, como objetos artísticos, palpáveis e finitos, e também transcendentes, por expressarem uma natureza sagrada que está para além de um espaço e de um tempo 
específico.
Os ícones são, em si mesmos, uma imagem, um reflexo, um espelho de uma realidade metafísica, com um efeito mental de verosimilhança que define internamente a compreensão de um símbolo ou de uma alegoria, mas externamente sujeita a padrões estéticos que, no caso da arte religiosa de origem bizantina, se assumem com uma forte identidade.
Há dois mil anos, Bizâncio era uma das cidades mais importantes do mundo. Localizada estrategicamente entre a Europa e a Ásia, dominava o Mar de Mármara, o Bósforo e grande parte das rotas culturais e comerciais entre o Oriente e o Ocidente.
Esta cidade foi ponto de contacto de vários povos: gregos, romanos, egípcios, persas, chineses, mongóis, indianos, eslavos, vikings e africanos, e também judeus, cristãos e islamitas... Independentemente dos poderes dominantes, foi, seguramente, uma das metrópoles mais cosmopolitas de sempre, herdando muito das tradições pré-clássicas, clássicas e dos "exotismos" de culturas distantes.
É neste caldo cultural, o Mundo à escala de uma cidade, que se instala o Cristianismo primitivo, uma religião minoritária, periférica, mas dotada de uma mensagem poderosa e arrebatadora.(...)

 

Sérgio Gorjão
Historiador de Arte. DGPC/Palácio Nacional de Mafra

Excerto do texto do catálogo da exposição «SOB O MANTO DE NOSSA SENHORA - Coleções de Arte Russa em Portugal»

 

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