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755 HITCHCOCK copy

 

 

 

 

MAS NÃO ERA SÓ SUSPENSE


 

 

a) Gosto de explorar a ténue linha que separa a comédia da tragédia; gosto de
pegar no que é comum e torná-lo extraordinário. Acredito no cinema puro.

b) Penso que a montagem é a essência de um filme.
Alfred Hitchcock

 

 

Tendo nascido em Leytonstone (Grande Londres), em 1899 e morrido em Los Angeles, em 1980, Alfred Hitchcock, que era filho de um merceeiro, recebeu uma severa educação católica no St. Ignatius College, uma escola dirigida por Jesuítas, facto que se compreende bem se tivermos em conta a ascendência irlandesa da família. Forma-se na School of Engineering and Navigation, arranjando rapidamente trabalho como orçamentista numa companhia de telégrafos, na qual se ocupa tanto de questões de ordem técnica como de publicidade.


A sua entrada no mundo do cinema faz-se aos 21 anos, tornando-se responsável pelas indicações cénicas (didascálias) na filial londrina de Famous Players-Lasky, produtora norte-americana fundada em 1916 por Adolph Zukor e Jesse L. Lasky. São já evidentes as duas características fundamentais da personalidade do futuro realizador: por um lado, o interesse pelos problemas de ordem moral (a culpa e o pecado, sobretudo o pecado sexual); por outro, a meticulosa preparação técnica. Das indicações cénicas passa para a escrita de argumentos, tornando-se depois assistente de realização. O primeiro filme que dirige é de 1925 – The Pleasure Garden –, mas The Lodger/O Hóspede (1926) é que pode ser considerado o seu primeiro filme a sério («assinado», como quase todos os que se sucederam, por uma rápida aparição na tela): nele aborda pela primeira vez um dos seus temas favoritos: o pesadelo vivido por um indivíduo perseguido que é obrigado a provar que está inocente. Em 1929, adere ao cinema sonoro com Blackmail/Chantagem, retendo da linguagem do mudo o predomínio da imagem sobre a palavra e aproveitando do sonoro a utilização expressiva de sons e rumores. Hitch (para usar um petit nom que se tornou célebre) realiza várias obras-primas no período inglês, a saber: Rich and Strange (1932), The Man Who Knew Too Much/O Homem Que Sabia Demasiado (1934), The Thirty-Nine Steps/Os Trinta e Nove Degraus (1935), Sabotage (1936) e The Lady Vanishes/Desaparecida (1938).


Em 1930, o realizador muda-se para Hollywood, onde roda Rebecca/Rebeca (1940), levando aí o seu estilo à perfeição máxima: passa, como ele próprio diz, da «sensação de cinema» para a «formação das ideias». Confirma-se como o mestre incontestado e incontestável de uma dada modalidade do género thriller, que enriquece com um malicioso, quando não matreiro e perverso, humor britânico. O facto de se ter especializado no referido género não é, para A. H., uma limitação, nem o impede de formular inquietantes paradoxos sobre moralidade e amor: como em Suspicion/Suspeita (1941) e Shadow of a Doubt/Mentira (1943), subtis reflexões sobre a incapacidade de reconhecer o comportamento da pessoa amada e sobre a relação entre amor e morte. Em 1943 organiza, com Lifeboat/Um Barco e Nove Destinos, uma metáfora da guerra e da relação de forças entre ditadura e democracia: talvez tenha nascido daqui a ideia de fazer duas curtas-metragens dedicadas à luta da Resistência francesa. Depois da guerra realiza os famosos Spellbound/Casa Encantada (195) e Notorious/Difamação (1946).


Geométricos e exemplares como teoremas, os filmes de Hitch erguem-se com base numa extraordinária perícia técnico-formal: com Rope/A Corda 1948) dá um exemplo superior do seu virtuosismo, concentrando o assunto num único ambiente e num só plano-sequência. Entretanto, torna-se produtor dos seus próprios filmes: hábil gestor e propagandista da sua pessoa, A. H. há de prestar sempre particular atenção à captação das simpatias do público, garantindo ao longo da sua carreira uma bela maquia. Para lá deste primoroso instinto comercial, manifesta uma profunda consciência do que é a linguagem própria do cinema e uma singular capacidade de envolver os espectadores no jogo cinematográfico. O célebre suspense hitchcockiano baseia-se, de facto, na cumplicidade do espectador, que é convidado a seguir os movimentos do assassino (ou do inocente injustamente acusado) e a não esperar passivamente as revelações do culpado, como acontece nas manifestações mais convencionais do género. Com Strangers on a Train/O Desconhecido do Norte Expresso (1951), I Confess/Confesso! (1952), Dial M for Murder/Chamada para a Morte (1954), A. H. recupera o tema favorito da transferência de responsabilidades do culpado para o inocente.


De 1955 a 1963 confirma, com uma feliz série de telefilmes, a sua familiaridade com outras formas audiovisuais e a solidez da sua relação com o público. Nesse período, as obras que realiza são uma sequência ininterrupta de grandes títulos: Rear Window/Janela Indiscreta (1954), To Catch a Thief/Ladrão de Casaca (1955), The Trouble with Harry/O Terceiro Tiro (1956), uma nova versão de The Man Who Knew Too Much (1956), The Wrong Man/O Falso Culpado (1957), Vertigo/A Mulher Que Viveu Duas Vezes (1958), North by Northwest/Intriga Internacional (1959), Psycho/Psico (1960), The Birds/Os Pássaros (1963) e Marnie (1964). Nesta altura já atingiu grande notoriedade, mas a consideração da crítica não é ainda proporcional ao seu êxito comercial: note-se que sendo absolutamente indiferentes à verosimilhança, os filmes de A. H. são acusados de irrealidade e de ausência de conteúdo. É essencialmente por mérito da crítica francesa que começam a ser apreciados a perfeição estrutural, o fundo onírico (de clara marca surrealizante), a problematização moral e ética. Fundamental neste sentido é o livro-entrevista de François Truffaut (1966): Le cinéma selon Hitchcock (1977) .


Depois de alguns trabalhos mais desinteressantes, o velho cineasta volta a mostrar a sua mestria na década de 1970 com Frenzy/Perigo na Noite (1972) e Family Plot/Intriga em Família (1976), confirmando que se mantinha fiel às suas ideias de cinema e, simultaneamente, que se mostrava capaz de acompanhar as mutações do gosto do público. É de importância capital na obra de A. H. a atenção que dedica aos aspectos técnico-formais, seja em sede de argumento, seja no plateau, seja na sala de montagem. Do famoso plano-sequência ininterrupto de Rope aos virtuosismos da câmara de filmar em Notorious (veja-se a chave na mão de Ingrid Bergman), da prodigiosa back projection de The Lady Vanishes aos impecáveis enquadramentos subjectivos de Strangers on a Train e Frenzy, a experimentação em matéria de linguagem cinemática é sempre directamente proporcional às exigências da narrativa, à essencialidade expressiva de toda e qualquer sequência, ao gosto de um espectáculo que deixou de estar determinado por razões de coerência. Diz o próprio A. H.: «Fazer um filme [...] não é mais do que narrar, e o modo de narrar, é supérfluo dizê-lo, dever ser bem escolhido. Não acredito em transpor para o ecrã um "episódio da vida", porque as pessoas podem ter todos os episódios de vida que queiram, fora de casa, na rua, diante da sala de cinema, sem gastar um cêntimo. [...] Deve ser credível, mas não muito comum; deve ser dramático, mas permanecendo natural. "O drama", disse alguém um dia, "é a vida, mas com a exclusão dos factos insignificantes"».


Truffaut percebeu tudo isto perfeitamente e assinalou: «Hitchcock não tinha nada de artista maldito ou incompreendido, pois era um cineasta expansivo e, até, popular. Poder-se-á pensar que recorro a um paradoxo, ao incluir entre os méritos de Hitchcock o ter sido um artista comercial? Afinal, não é difícil lograr a adesão do grande público quando se é como ele, quando a própria ironia é irresistível, quando se é cúmplice das circunstâncias da vida, ou nos emocionamos com os mesmos dramas. A correlação entre determinados criadores e o seu público é a base das trajectórias artísticas com sucesso e sem complicações. Para mim, Hitchcock só não pertenceu a essa categoria, porque era um homem especial - pelo seu físico, o seu espírito, a sua moral e as suas obsessões . Ao contrário de Chaplin, Ford, Rossellini ou Hawks, era um neurótico, e não deve ter sido fácil impor as suas neuroses de um modo universal.» As características psicológicas, como sempre acontece com as neuroses, guiaram os movimentos do realizador com minuciosa exactidão. «A imagem hitchcockiana por excelência», esclarece Truffaut, «é a de um homem inocente a quem confundem com outro, que é perseguido, que encontramos quando está prestes a cair de um telhado, agarrando-se a uma caleira que não tardará a desprender-se».


Guillermo Cabrera Infante, grande escritor e, para muitos, o mais arguto crítico de cinema que lhes foi dado conhecer, definiu, com particular felicidade, o clima (em especial, o suspense) que preside à ideia de cinema de Hitchcock como um medo que é transmitido por um agente. Escreveu, em Arcadia todas las noches: «No mundo do cinema corre também esse fantasma do medo retardado, mas aqui é um filão a explorar, um leitmotiv, um recurso salvador. Chama-se, às vezes, suspense. Este medo foi examinado, analisado, composto, elaborado e servido em doses maciças por um certo Alfred Hitchcock, inglês. Desde a sua aparente invenção foi atribuído o nome do seu descobridor ao agente que o transmite, o bacilo de Hitchcock.»

 

Em oito sessões, de 4 a 14 de Abril, celebramos o talento do Mestre.

O Conselho Directivo da Fundação D. Luís I

 

 

 

P R O G R A M A Ç Ã O

 

 

5 abril


 

250 o homeme que sabia demasiado  

21h30

O HOMEM QUE SABIA DEMASIADO

(The Man Who Knew Too Much) – 1934 / 120'


Com Leslie Banks, Edna Best, Peter Lorre e Nova Pilbeam  M/12

 

O casal inglês Bob e Jill Lawrence (Leslie Banks e Edna Best), juntamente com a filha Betty (Nova Pilbeam), encontram-se de férias em Saint Moritz na Suíça quando Louis Bernard, um amigo do casal, é atingido a tiro enquanto dança com Jill. Antes de morrer, Louis dá a Jill a chave do seu quarto e pede para que ela entregue o pincel de barba ao embaixador britânico ou a um homem chamado Gibson. Jill conta a Bob que entra no quarto e encontra um bilhete com a data de 31 de março e o nome A. Hall. Tudo se complica quando Betty é raptada para impedir que os pais contem o que sabem. Numa corrida contra o tempo Bob e Jill decidem investigar por conta própria o paradeiro da filha e assim salvarem o mundo, impedindo um assassinato em Londres que poderá iniciar uma guerra. 

 

 

6 abril


 

250 os 4 espiões  

16h30

OS QUATRO ESPIÕES

(Secret Agent) – 1936 / 83'


Com Peter Lorre, Robert Young, Madeline Carroll, John Gielgud e Lili Palmer  M/12

 

Durante a Primeira Guerra Mundial Brodie (John Gielgud) é dado como morto para ocultar que foi recrutado pelos serviços secretos que o enviam para a Suíça, com o nome de Richard Ashenden, para desmascarar um perigoso espião inimigo. É então que Brodie conhece o seu estranho cúmplice, a quem chamam O General (Peter Lorre), a sua falsa esposa Elsa (Madeleine Carroll), o pretendente desta Robert Marvin (Robert Young), e o suspeito casal Caypor (Percy Marmont e Florence Kahn). A investigação deverá prosseguir para descobrir quem é o espião procurado mesmo que isso implique assassiná-lo a sangue frio. 
     
250 suspeita  

21h30

SUSPEITA

(Suspicion) – 1941 / 100' 


Com Joan Fontaine, Cary Grant, Nigel Bruce, Leo G. Carroll e May Whitty  M/12

 

Lina McLaidlaw (Joan Fontaine), uma jovem rica e tímida, apaixona-se por Johnnie Aysgarth (Cary Grant), um playboy que vive de apostas com o dinheiro dos amigos. Os dois casam-se mas logo após a lua-de-mel Lina apercebe-se da verdadeira personalidade de Johnnie e começa a suspeitar que o marido é um assassino e que ela será a próxima vítima. 

 

 

7 abril


 

 

250 sob o signo de capricornio  

16h30

SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO

(Under Capricorn) – 1949 / 117'


Com Ingrid Bergman, Joseph Cotten, Michel Wilding e Margaret Leighton  M/12

 

Em meados do século XIX Charles Adare (Michael Wilding), um irlandês, viaja para a Austrália para começar uma nova vida. Logo ao chegar encontra o poderoso Sam Flusky (Joseph Cotten) e descobre que conhece a mulher de Sam desde a infância. Ingrid Bergman encarna a bela e instável Henrietta, atormentada pela mudança da Irlanda para a Austrália para acompanhar o marido que cumpre pena por assassínio. Com a chegada de Charles, Henrietta descobre um novo vigor o que irá despertar ciúmes em Sam. 

 

 

12 abril


 

250 ladrão de casaca  

21h30

LADRÃO DE CASACA

(To Catch a Thief) - 1955 / 102'


Com Grace Kelly, Cary Grant, Jesse Royce Landis e Brigitte Auber  M/12

 

O ex-ladrão de joias John Robie (Cary Grant), conhecido como Gato, é o principal suspeito de uma vaga de roubos de joias na Riviera francesa. Para não voltar para a cadeia, já que alguém pretende culpá-lo pelos crimes, procura descobrir o verdadeiro culpado. Quando conhece a bela Frances Stevens, (Grace Kelly), decide utilizá-la como isca para prender o verdadeiro ladrão.

Quem será o culpado? 

 

 

13 abril


 

500 A mulher que viveu duas vezes  

16h30

A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES

( Vertigo) – 1958 / 129'


Com Kim Novak, James Stewart, Barbara Bel Geddes e Tom Helmore  M/12

 

James Stewart é John Ferguson, um ex-polícia que sofre de vertigens. Contratado por um velho amigo para seguir a sua mulher Madeline (Kim Novak), que se sente atraída por locais altos o detetive é obrigado a enfrentar a sua fobia. Ferguson acaba por desenvolver uma paixão obsessiva por Madeline e, entretanto, algo de estranho acontece. 
     
250 Os passaros  

21h30

OS PÁSSAROS

(The Birds) – 1963 / 119'


Com Tippi Hedren, Rod Taylor, Veronica Cartwright, Suzanne Pleshette e Jessica Tandy  M/12

 

Melanie Daniels (Tippi Hedren), uma bela e rica herdeira de São Francisco cruza-se com Mitch Brenner (Rod Taylor) numa pet shop pensando que o conhece pela primeira vez. Mitch reconhece-a de uma sessão do tribunal e para a provocar finge confundi-la com a empregada para comprar um casal de love birds como presente. Habituada a obter o que quer Melanie resolve visitar Mitch em Bodega Bay para lhe entregar um presente, uma gaiola com um casal de love birds. Deposita o presente secretamente na casa da mãe de Mitch, Lydia (Jessica Tandy) criando um clima tenso entre ela, Mitch e Lydia, momento em que inexplicavelmente todas as espécies de pássaros começam a atacar a população da cidade com uma violência crescente. 

 

 

14 abril


 

250 cortina rasgada  

16h30

CORTINA RASGADA

(Torn Curtain) -1966 /128'


Com Julie Andrews, Paul Newman, Lila Kedrova, Wolfgang Kieling e Ludwig Donath  M/12

 

O cientista norte-americano Michael Armstrong (Paul Newman) desloca-se a Copenhaga para participar num congresso internacional de física nuclear e viaja com a sua noiva Sarah Sherman (Julie Andrews), também cientista. Sarah intercepta uma mensagem destinada a Michael e descobre que o seu noivo desertou e viajará para Berlin Oriental, em plena Guerra Fria, onde pretende conseguir fundos para o seu projeto de investigação. Desconfiada das suas verdadeiras motivações Sarah decide segui-lo em segredo. 

 

 

 

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