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SUBSTÂNCIA DO TEMPO

 

A presente exposição reúne duas séries fotográficas — Palimpsestos e Uma Questão de Fé —, muito distintas no respeitante ao conceito estético, mas que correspondem à mesma pergunta sobre a substância do tempo. Em ambas, é evidente a ligação da autora ao domínio da Arqueologia.

 

 

Palimpsestos 1 500          Palimpsestos 15 500

 

 

PALIMPSESTOS 

Neste projecto, a artista busca no pergaminho raspado vestígios de escritas de outros tempos como forma de perceber as armadilhas de Chronos ou como tentativa de o aprisionar. Aparentemente, este trabalho pode parecer um exercício de estilo, o acaso de conjugações felizes de atmosferas harmónicas. Nada mais falacioso! Cada palimpsesto discute com o observador a localização do momento em que o tempo se anula, aquele em que pela primeira vez o olhar varre a imagem, ou melhor, a constrói. Esse momento talvez não exista ou não possa ser descortinado, cirurgicamente isolado do Passado. Está sempre em fuga e arrasta consigo memórias e fragmentos vindos de outros tempos. A ideia de palimpsesto ou o reconhecimento da impossibilidade de fragmentar o fluxo do tempo histórico – e no entanto não há outra forma de o analisar – constitui um tema central da epistemologia e da metodologia arqueológicas; cada imagem como um solo de habitat (o que nos leva a velhas discussões com François Bordes e Henry de Lumley) desejavelmente fechado no tempo do seu pisoteamento, da sua modelação por uma fogueira acesa que logo se apagou e espalhou cinzas em redor que cobriram os restos da última refeição. Estamos a falar da obsessão por contextos fechados, pelo controlo do momento zero em que o gesto acontece. A fotógrafa não dá respostas, mas escolhe toda uma semiologia arqueológica que conduz o olhar para layers subjacentes à epiderme das coisas, ou para inversões ou ressurgências inesperadas, iludindo a estratigrafia dos acontecimentos, como se o tempo pudesse andar para trás. E não pode?

A opção por cores discretas, quase sempre da gama dos cinzentos cria atmosferas de incerteza, onde, por vezes, inesperadamente, emergem centelhas de belas cores.

 

 

fé 1 500

 

 

UMA QUESTÃO DE FÉ

O presente projecto de intervenção artística corresponde a uma ideia que há muito Rosa Nunes vinha amadurecendo, de representação sincrética, no sentido de comunicação emocional de uma das mais espantosas experiências arqueológicas em que ela mesma participou – a escavação do depósito votivo, da Idade do Ferro, de Garvão (Ourique). Levantar o véu que cobria o depósito de oferendas à divindade, localizado na encruzilhada de diversas culturas, conferiu-lhe o poder de atravessar uma espessura temporal de mais de 2200 anos, e como observadora externa, podia apreender a fragilidade do ser humano na doença e a capacidade mobilizadora da fé na projecção de futuro.

Na sociedade actual, sujeita às crises cíclicas de um capitalismo tardio, é notório o desfasamento entre a elevada capacidade tecnológica instalada e a organização sociopolítica. A descontinuidade fracturante entre ricos e pobres nos países desenvolvidos e entre estes e as regiões subdesenvolvidas do planeta será provavelmente o motor de profundas transformações, que podemos imaginar animados por uma visão negativa de hecatombe ou por uma postura positiva de revolução social.
Optei pela segunda hipótese, que se tem revelado forte esteio onde posso ancorar o meu quotidiano, mas não deixa de ser uma questão de fé, mesmo quando a já longa história da Humanidade lhe fornece o suporte de um sólido registo empírico. Essa mesma fé que na II Idade do Ferro transformou Garvão em extraordinário santuário para onde convergiam peregrinos do Sudeste, Sul, Meseta, Ocidente da Ibéria. Nele está presente o mosaico de culturas que caracterizou a segunda Idade do Ferro, nos séculos IV-III a. C., cruzando as componentes mediterrâneas, especialmente púnicas, as continentais, de feição celtizante, e o fundo cultural indígena enraizado na longínqua Idade do Bronze final.

 

Joaquina Soares
(Directora do Museu de Arqueologia
e Etnografia do Distrito de Setúbal)

 

 

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ROSA NUNES


Torrão (Portugal), 1955. Integrou a equipa fundadora do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), em 1974, onde permanece como arqueóloga, dedicando-se a estudos sobre a Época Romana. Possui licenciatura em Sociologia e pós-graduação em Museologia.

Fez o curso de Fotografia Profissional e o curso de Projecto Fotográfico na APAF (Associação Portuguesa de Arte Fotográfica) e ainda formações pontuais no AR.CO (Centro de Arte e Comunicação Visual). É sócia da Sociedade Nacional de Belas Artes.

Exposições individuais:
2017 a 2007: "Convite para Jantar", Casa da Avenida, Setúbal; "Chronos", MAEDS, Setúbal, Museu do Côa, Vila Nova de Foz Côa; "Z=,37,48", MAEDS, Setúbal; "Chrysallis #2", Fórum Cultural de Alcochete, Alcochete; "Terra Verde", MAEDS, Setúbal; "Dias Felizes", Galeria Municipal de Sobral de Monte Agraço, 12a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, Galeria de Exposições Augusto Bértholo (Alhandra) e MAEDS, Setúbal; "Beyond the Grave", Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa e MAEDS, Setúbal; "Chrysallis", MAEDS, Setúbal; "Escalas", MAEDS, Setúbal; "Saudades do mar", Galeria 3 Reis, Estremoz; "Sombras", Centro Cultural Emmérico Nunes, Sines, Museu Municipal da Fotografia João Carpinteiro, Elvas e MAEDS, Setúbal; "Águas de Silêncio", Pólo de Animação Ambiental, Alcochete, Biblioteca Municipal de Peso da Régua, Conservatório de Vila Real e MAEDS; "Atravessar a diferença", MAEDS, Setúbal.

Exposições colectivas:
2018 a 2006: "Gender and Other Boundaries", MAEDS; "Arrábida Roteiro de Afectos", MAEDS; "Res Arrábida", MAEDS; "Viagens. Colectiva de Fotografia", MAEDS; "Ilustrar a palavra", Biblioteca Municipal de Santiago do Cacém, Biblioteca Municipal do Barreiro, MAEDS; "Outros olhares sobre o Montijo", Galeria Municipal do Montijo; "Arquitecturas", MAEDS e Centro de Artes de Sines; "Do uno ao plural", Galeria da Biblioteca Municipal Dr. Orlando Ribeiro, Lisboa; 11a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, Celeiro da Patriarcal; "Imagens que as palavras ditam", MAEDS, Setúbal; ON EUROPE- Bienal Internacional de Artes Plásticas de Montijo; "Vestígios do sismo de 1755 em Setúbal e Sines", Centro de Artes de Sines; "O Sismo de 1755 em Setúbal e Santiago do Cacém", Santiago do Cacém; "Embarcações tradicionais do Sado. Um património com futuro", AERSET e MAEDS, Setúbal.

Colecções:
Câmara Municipal de Montijo (colecção da Galeria Municipal); Câmara Municipal de Vila Franca de Xira; Câmara Municipal de Setúbal (Forum Luisa Todi) / Fundação Buehler-Brockhaus; Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal / Assembleia Distrital de Setúbal; Particulares.

 

 

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