755372 LUIS VIEIRA-BAPTISTA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Acordar, 2018 | Óleo sobre tela, 100x150 cm

 

 

A vida em nós

 

Nesta mostra, o artista procura despertar os sentidos, estimulando a contemplação de um mundo místico, introspetivo, e em diálogo com o espectador, transmitir-lhe o acme da criação, protagonizado pela figura feminina, através de uma narrativa pictórica, de grande qualidade plástica e conteúdo poético.
Com a mestria de criador, em momentos de pareidolia, liberta imagens ocultas na mistura das cores, nos meandros de uma mancha, dando vida ao sonho, forma à dúvida, cor à existência e sentido ao caos, numa evocação de sentimentos ao ritmo de cada pincelada.
Apaixonado pela vida, a origem e o destino, transporta imagens do quotidiano para um ambiente de referências oníricas, capta o poder vibracional e energético da forma e, na procura da desmistificação de verdades ou dogmas, induz-nos à introspeção num labirinto de cor e símbolos.
O simbolismo vive em cada elemento, em cada pincelada, nas sobreposições, nas transparências, nas imagens difusas, na luz e na ausência dela.
Propõe-nos a uma reflexão sobre a essência do ser, percorrendo um universo de transcendência e despertando-nos para uma nova dimensão da consciência, como porta de entrada para um mundo sem forma.
Luís Vieira-Baptista, neste seu longo percurso, amadurecido pelo reconhecimento nacional e internacional, tem-nos presenteado com inúmeras exposições, enriquecendo o nosso património cultural, estimulando novos criadores e alimentando a nossa imaginação sequiosa de emoção.
E, como o artista só se descobre na sua obra, no rigor do traço, na vibração das cores e no mistério por detrás de cada pincelada, convido-vos agora a deixarem-se enfeitiçar pela magia das formas, na descoberta da verdadeira natureza da vida.

 

A arte é a expressão da essência do ser

 

Conceição Vieira Coelho
curadora

 

 

755 Transmigração2018 120x200cm díptico óleoacrtela 
Transmigração(díptico), 2018 | Óleo sobre tela, 120x200 cm

 

 

A vida em nós

 

Como diz Eckhart Tolle, o pensamento e a linguagem criam uma dualidade aparente, uma entidade separada, quando na realidade não é isso que se passa. Na verdade, nós não somos alguém que está consciente da árvore ou da ave que acabámos de ver, do pensamento, do sentimento ou da experiência. Somos a percepção ou a consciência onde, e através da qual, aquelas coisas surgem.

O mais importante de tudo, e que serve de mote a esta exposição, é constatarmos que a consciência pura é a Vida antes de ela se manifestar e, uma vez que nós somos essa consciência, a Vida olha para o mundo físico através dos "nossos" olhos.
Então, quando nos reconhecemos como sendo a consciência, revemo-nos em todas as coisas.

Aquilo que ouso exprimir através dos trabalhos que agora vos apresento na Fundação D. Luís I é, sem tirar nem pôr, a interpretação possível, enquanto pintor, do que acima transcrevo.

Não sou ilustrador de ideias, mas sim um fazedor de perguntas com recurso ao visionismo que as sincronias do acaso me proporcionam.

As palavras pecam por defeito em momentos de transcendência criativa, por serem limitativas - uma imagem vale por mil palavras - na sua génese linguística, podendo muitas vezes, sobretudo na poesia, afastar-se da ideia original do seu autor quando é traduzida noutro idioma. Uma tradução para japonês de "Os Lusíadas", será certamente mais redutora que o original, mas um visitante desta exposição oriundo do país do "Sol nascente", pode identificar-se imediatamente com a minha obra, ou não, só pela interpretação do que vê.

São os símbolos e as imagens que melhor exprimem ideias e sentimentos para uma aproximação transversal à humanidade, obviamente sujeitos a uma capacidade interpretativa proporcional à cultura de quem os vê; uma imagem de Shiva para um ocidental que esteja afastado da história do hinduísmo, é certamente menos compreensível do que para um indiano.

E há assuntos que, em consciência, são património da humanidade. O problema é a população andar distraída em acções não prioritárias e não perceber, ainda, que tudo é bem mais fácil ao sabor da corrente do que contra ela.

Por exemplo, se aceitarmos a morte e não a negarmos como acontece no ocidente, estamos a assumir uma cultura que recusa uma inevitabilidade, demonstrando por isso ser superficial e frívola, e só preocupada com as aparências, pois quando se nega a morte, a vida perde profundidade; e a possibilidade de sabermos quem somos para lá do nome do corpo, a dimensão da transcendência, desaparece das nossas vidas porque a morte é a porta de entrada para essa dimensão.

As minhas telas não almejam responder a dúvidas, pois não é esse o propósito da Arte. Mas as perguntas surgidas pelas dúvidas, são o meu mote criativo. Será o espectador, se assim o entender, a dar as suas próprias respostas, na realidade as únicas que interessam, pois ao não virem de terceiros, permitem que as respostas surjam com recurso à sabedoria e não ao conhecimento.

Muito do que aqui apresento é um livro aberto do que me vai na alma, uma "exposição'"no seu sentido mais literal. Não fujo a comprometimentos e chego mesmo a acreditar, pois há sempre uma alta percentagem de optimismo e romantismo na minha obra, que haja pessoas a ler estas palavras, pois não sendo elas prioritárias neste contexto são, contudo, complementares para percebermos o 'making-of' das coisas...

Se é uma das pessoas que lê estes catálogos, fique a saber que procuro não desperdiçar os momentos que a vida me dá, ao permitir-me ser um observador do que me rodeia, pleno de consciência que o agora é irrepetível. Tem sido um privilégio partilhar a vida que me foi dada viver, com seres humanos tão especiais como aqueles com que tenho tido a sorte de conviver.

A Isabelinha, a minha companheira há quase 30 anos, com a sua presença e cumplicidade, consegue que não me aperceba do passar dos anos. Está ligada à natureza e ao canto lírico, e é no mar das suas notas musicais que invento as cores da minha paleta; a musicalidade que transporta no seu ser tem-me arrastado para sinfonias criativas, onde os pincéis são as minhas batutas.

E como falo de música, quero agora agradecer ao meu amigo Pedro Teixeira da Silva, compositor ímpar no panorama da música erudita portuguesa, pelo seu maravilhoso poema sinfónico "Deneb", o nome dado à estrela mais brilhante da constelação do Cisne, interpretada em instrumentos de corda por doze músicos excepcionais, contribuindo para glorificar "A vida em nós". Bem hajas, Pedro

Em cada novo projecto tento "afinar-me" pelos que reconheço como Mestres, respeitando-os mais do que os copiando, pois é no visionismo, corrente estética por mim criada há cerca de trinta anos, que assimilo princípios, correntes e movimentos artísticos nascidos ontem, tendo em vista a concretização das minhas telas de hoje, respeitando a minha herança cognitiva portuguesa de globalidade, criando pontes entre todos.

Como qualquer artista, tenho muita dificuldade em eleger as minhas obras porque são todas, fruto da mesma entrega, embora reconheça que haja umas, mais próximo do que outras, da ideia original. Para resolver este problema, nada melhor do que contar com a ajuda da minha amiga Conceição Vieira Coelho, para a curadoria desta mostra, pois sem a sua sensibilidade e empenho, a coerência de "A vida em nós" não seria tão eloquente e significativa. Obrigado São!

E como vem sendo hábito, quero também agradecer ao Paulo Amorim, a ajuda técnica que me tem fornecido, sempre disponível para me ajudar a concretizar ideias que de início parecem fantasiosas de mais, mas que depois ele lá encontra uma maneira de as tornar viáveis. Abraço para ti!

Finalmente fica aqui também um agradecimento muito especial, à direção da Fundação D. Luís I, na pessoa do presidente Salvato Teles de Menezes e da Arquitecta Isabel de Alvarenga, pela confiança depositada em mim, ao receber-me em tão prestigiada instituição.

 

Luís Vieira-Baptista,

Cascais, Setembro de 2018

 

 

755 Para onde vamos2018 100x150cm óleoacrtela
Para onde vamos? 2018 | Óleo sobre tela, 100x150 cm

 

 

Luís Vieira-Baptista


 

Nasceu em Lisboa, em 1954, no dia 15 de Fevereiro.

Começou a pintar ainda muito jovem, seguindo assim uma vocação revelada precocemente. A sua formação artística seguiu paralelamente às viagens de navio que fez durante o compromisso de sete anos em que trabalhou na Marinha Mercante.

Depois de desembarcar, frequentou o curso de Desenho com Modelo Vivo na Sociedade Nacional de Belas Artes.

Mas foi precisamente quando ainda se encontrava embarcado que realizou a primeira exposição individual, na Galeria de Arte do Casino Estoril, em 1975. Daí para cá as mostras têm-se multiplicado, sobretudo a partir de meados dos anos de 1980, quando foi viver para Zurique, na Suíça.

Ao regressar a Portugal, na década seguinte, traz com ele um conceito estético inovador na História da Arte: o Visionismo. Para o apresentar ao público português, organizou uma exposição de pintura e escultura no Convento do Beato em Lisboa com mais dois colegas, o Júlio Quaresma e o Velhô, local onde foi revelado um "Manifesto Visionista" pela historiadora e crítica de Arte Chaké Matossian. Dali seguiram para Nova Iorque e Caracas, continuando a divulgação do Visionismo.

Dois anos depois abre atelier em Oeiras com outros três artistas e cria o Grupo Artitude, vocacionado para exposições na forma de grandes instalações temáticas em edifícios históricos e institucionais: Castelo de Leiria, 1994; Mãe d'Água das Amoreiras,1995; Museu de História Natural, 1996, etc..

No ano 2000 é lançado pela Hugin Editores o livro/álbum monográfico "Visionismo ou as sincronias do acaso".

No ano seguinte ilustra dois livros para a editora Mensagem: "Navegamos", de Casimiro Barreto e "Dryzil e a Salvação do Planeta Azul", de Helena Jobim, com prefácio do Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles.

Já a trabalhar sozinho, em 2003, concebe, cria e edifica o monumento escultórico/fonte luminosa cinética "À porta do Mar: Nave Visionista", junto à Av. Marginal e à praia de Sto. Amaro, em Oeiras. A Câmara local condecorou-o com a Medalha de Mérito, Grau Ouro, pela obra.

Em 2018, a Fundação Marquês de Pombal resolve batizar o Salão Nobre com o nome de "Luís Vieira-Baptista", convidando-o a ter aí peças da sua autoria em permanência e expostas ao público.

Está representado em inúmeras coleções de Arte, públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, entre as quais se destacam:

Ministério da Cultura, França | Câmara Municipal de Zurique, Suíça | Câmaras Municipais de Amadora, Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra | Museu do Mar, Cascais | Museu da Água, Lisboa
Fundação Millennium BCP | Banco Bes | Fundação Marquês de Pombal | Teatro Micaelense, Açores | Fundação Champalimaud | Sociedade Estoril Sol | Principado do Mónaco