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PARAMENTOS LITÚRGICOS

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Mostra inédita de Paramentos Litúrgicos em Cascais


Casa Duarte Pinto Coelho

Inauguração |24 março |18h00

 

Paramentos litúrgicos católicos romanos datados desde os meados do século XVI até ao século XX, de diferentes técnicas e materiais, mostram-se pela primeira vez ao público na Casa Duarte Pinto Coelho, em Cascais. De 24 de março a 6 de janeiro de 2019, dalmáticas, golas, bolsas corporais, pluviais, estolas ou casulas apresentam-se como autênticas obras de arte, exibindo o gosto sofisticado do colecionador e nome reconhecido das artes decorativas em todo o mundo. A exposição integra a programação do Bairro dos Museus de Cascais.

Trata-se de uma coleção desconhecida de Duarte Pinto Coelho. Ouro, seda, cetim ou algodão são alguns dos materiais utilizados na confeção destes trajes, vestes sem mangas ou capas. Estas peças têxteis atravessaram vários séculos, épocas e momentos litúrgicos da Igreja católica.
"A mostra vem reforçar a privilegiada cooperação entre a Câmara Municipal de Cascais, a Fundação D. Luís I e a Fundación Duques de Soria, entidade que detém parte do espólio de Duarte Pinto Coelho", refere o presidente da Câmara de Cascais. Carlos Carreiras enaltece que "é, naturalmente, uma honra reforçar esta comunicação bilateral, fluida e constante, dando a conhecer ao grande público – munícipes e visitantes nacionais e internacionais - esta coleção de paramentos litúrgicos, que integrou o quotidiano de Duarte Pinto Coelho ou não fosse este cascalense um católico devoto".
A Fundación Duques de Soria escolheu Cascais para instalar uma delegação permanente e uma representação da Cátedra Conde de Barcelona, cuja sede está na Casa Duarte Pinto Coelho.
Duarte Maria Egas de Avillez Pinto Coelho [1923-2010] nasceu em Cascais e exerceu a sua atividade de decorador e colecionador em países africanos e árabes, nos Estados Unidos, em França e em Espanha, vindo a fixar residência em Madrid.
A organização está a cargo da Fundação D. Luís I, em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais. A mostra "Paramentos Litúrgicos" decorre, de 24 de março a 6 de janeiro de 2019, no âmbito da programação do Bairro dos Museus de Cascais.


 

 

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PARAMENTOS LITÚRGICOS


 C o l e ç ã o   D u a r t e   P i n t o   C o e l h o

 

Detentor de uma colecção incrivelmente variada de obras de arte e de objectos decorativos de qualidade, que incluía tanto pinturas e esculturas europeias, como lacas e porcelanas asiáticas, a par de objectos marchetados de palha, barros malaganhos e loiça das Caldas, Duarte Pinto Coelho coleccionou ainda têxteis, bem menos conhecidos do público. Se algumas das peças têxteis assumiram uma função acima de tudo decorativa e cenográfica nos ambientes que recriou nas suas residências, ditados por um estilo grandioso e sofisticado, outras houve que cumpriram uma dimensão mais operativa, como foi o caso das alfaias que reuniu em Trujillo, na igreja do palácio Chaves-Mendoza, onde passava largas temporadas.


Aqui adoptou a mesma lógica que usou na campanha decorativa dos interiores do edifício, no âmbito das obras de recuperação que empreendeu, após a sua aquisição na década de 70 do século passado, e investiu na obtenção de paramentos históricos que repusessem a dignidade daquele espaço e do culto nele praticado. Nesse contexto, não surpreende o facto das suas escolhas incidirem (ainda que não de forma exclusiva) em testemunhos ao gosto barroco, coincidente com o período de triunfo da igreja católica romana, e que tanto admirava de tão bem que se adequava ao lado mais teatral e aparatoso das suas intervenções. Afinal, estava em causa o desempenho mediador dos paramentos entre a comunidade e os ministros, tanto no destaque da nobreza do Mistério celebrado como da estética festiva da cerimónia.


Mais resguardada - porque mais do que manufacturas têxteis ou obras de arte as alfaias são sobretudo objectos detentores de um carácter sagrado, próprio do rito litúrgico - esta colecção conheceu, naturalmente, uma menor visibilidade em comparação com outras. A decisão da Fundação D. Luís I expor pela primeira vez ao público uma parte deste corpus constitui, pois, uma oportunidade de conhecer uma outra vertente artística que mereceu o interesse do coleccionador, assim como explorar a sua sensibilidade e gosto pessoal plurifacetado.

 

 

 

 

 

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PLUVIAL

 

Origem de fabrico/datação:
Espanha, final século XVI/ inícios do século XVII
Materiais e técnicas:
Veludo cortado de seda liso carmim; cetim de seda amarelo; tafetá; bordado de aplicação (veludo salmão acastanhado e verde, cetim azul, verde e amarelo, cordão de fios metálicos dourados); galão bordado; firmal metálico; forro de tafetá azul.
Dimensões:
Capa de asperges (plana): larg. 280 cm X alt. 128 cm
Sebasto: larg. 21 cm x comp. 280cm
Capuz: alt. 40 cm X larg. 36 cm

 

Pluvial em semicírculo constituído por panos de veludo cortado liso carmim com capuz em forma de escudo, composto por vaso central e folhagem, cujas terminações superiores laterais se assemelham a chamas.
O pluvial consiste numa veste ordinária do clero que faz serviço de altar sem celebrar, cujo comprimento deve ser até ao tacão do calçado. É usado sobre os ombros pelo celebrante nos actos litúrgicos solenes estranhos à Eucaristia, tais como a aspersão da água benta - em que toma especificamente o termo capa de asperges -, as procissões, baptismos, enterros e responsos fúnebres, absolvições, as laudes e vésperas solenes e a bênção do Santíssimo Sacramento. 

 

 

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CASULA

 

Origem de fabrico/datação:
Espanha (?), final do século XVI / início do século XVII
Materiais e técnicas:
Veludo liso cortado, carmim, bordado directo e de aplicação a pontos de seda policroma (de Bolonha, fendido, matiz, cadeia e lançado) e de ouro (fios laminados dourados e prateados, lantejoulas) sobre enchimento (fios e cordões); galão tecido (fios de seda amarela e fios
laminados dourados) e galão tecido e franjado (fios de seda carmim e fios laminados dourados); forro de tafetá carmim.
Dimensões:
Frente: alt. 120 cm X larg. 68 cm x larg. ombros 52 cm
Costas: alt. 124 cm X larg. 71 cm

 

Casula com campos de veludo liso cortado carmim bordados com ornatos vegetalistas semelhantes a alcachofras e sebastos dominados por composição de temática cristã, assente na figuração de corpo inteiro de santos com os seus atributos e da Virgem em enquadramentos arquitectónicos. Reconhecem-se, na frente, S. Francisco de Assis recebendo os estigmas e o apóstolo e mártir S. João Evangelista em gesto de bênção aos fiéis segurando um cálice com uma serpente.
Nas costas, sucedem-se as imagens da jovem Santa Inês mártir, com a palma na mão ladeada por cordeiro, Santa Clara com o báculo de abadessa e ostensório, e Nossa Senhora com o Menino sobre crescente lunar e mandorla radiante.