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[Piso 1]    15 de julho a 10 de setembro


LUÍS NORONHA DA COSTA | modos do olhar

 
 
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A Fundação D. Luís I apresenta no Centro Cultural de Cascais uma exposição de obras do renomado pintor Noronha da Costa, munícipe de longa data, não obstante ter nascido em Lisboa, que por desenquadramento de datas e dificuldades de conciliação das respetivas agendas, só agora foi possível montar nos espaços nobres do CCC, prestando-se assim justiça à valia da obra e ao prestígio da individualidade que lhe deu forma.


A presença de Noronha da Costa no CCC é tanto mais de realçar quanto é certo o artista não confinar a sua produção às artes plásticas, tendo ganho a reputação de cineasta de mérito ao realizar alguns dos mais significativos filmes experimentais da vanguarda portuguesa. Cada uma das modalidades que Noronha da Costa abraçou proporcionou-lhe êxitos importantes, o que não deixa de surpreender visto a sua carreira ter sido pautada pela adesão a diversas opções estéticas que se exprimiram mais intensamente na pintura e onde a sua inquietação existencial mais afincadamente tornou visível um temperamento de criador sui-generis amiúde conectado ora com as fontes fantasmagóricas do surrealismo, ora com os princípios de "distância" do romantismo.


A atribuição do Prémio Europeu da Pintura a Noronha da Costa pelo Parlamento Europeu (1999) e o prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte em Lisboa (2003) são marcos na carreira de um artista que expõe regularmente no país e no estrangeiro com realce para a integração na representação portuguesa na Bienal de Veneza em 1970. Conhecido como o pintor dos filtros foscos, Noronha da Costa está representado em diversas coleções públicas e privadas de grande relevo e eis chegada a hora de fazer parte do elenco dos notáveis que o Centro Cultural de Cascais teve o privilégio de apresentar ao longo da sua existência.


Quero dar as boas-vindas a Noronha da Costa alimentando a expectativa de ver a presente mostra devidamente apreciada pelo público cascalense.

 

Carlos Carreiras
Presidente da Câmara Municipal de Cascais

 

 

noronha costa

 

 

 

 

Modos do olhar

 

Pode afirmar-se que a obra de Noronha da Costa continua, por vezes até paradoxalmente, a ser uma das mais desconhecidas na arte portuguesa da segunda metade do século XX. Apesar de ter sido objecto, em 2004, de uma importantíssima retrospectiva no Centro Cultural de Belém , a sua obra não conheceu, nestes 13 anos que se seguiram a essa mostra, mais nenhuma revisitação crítica global em instituições museológicas nacionais ou internacionais. Uma individual de características peculiares em 2017 não alterou significativamente esta constatação.


E no entanto, paradoxal ela é. Há uma espécie de lugar comum que consiste em identificar a obra deste artista com pinturas de imagens desfocadas, vagamente semelhantes a pinturas de paisagem ou cenas de género, que tem o seu fundamento na extrema visibilidade que estas séries de imagens ganharam nos últimos vinte ou trinta anos, em que se tornaram também ampla e facilmente disponíveis no mercado artístico. Esta identificação acabou por esconder a extrema qualidade e criatividade do trabalho de Noronha da Costa, que aqui pretendemos dar a ver em algumas das muitas vertentes que o seu pensamento plástico e estético abriu desde os anos 60.


Esta exposição surgiu a partir do extenso núcleo de obras assinadas por Noronha da Costa pertencentes à Fundação Millenium, que se associa aqui à Fundação D. Luís I e ao próprio artista para apresentar uma selecção de pinturas e objectos realizados desde a década de 60 até à actualidade. Quase todos os períodos e séries estão representados no conjunto de obras escolhidas, desde os primeiros objectos feitos na década de 60, passando pelas obras com inclusão de matérias betuminosas da década seguinte e chegando, por fim, às imagens com diferentes graus de focagem que já mencionámos. Desde as suas primeiras exposições, Noronha da Costa foi saudado pela crítica de arte da época como um artista fundamental, senão mesmo dos melhores do século XX. O seu trabalho, que sempre se manteve afastado das polémicas características dos anos 60 e 70 sobre o hipotético fim o a sempre anunciada e nunca concretizada morte da pintura, centrou-se na interrogação primeira que deve apoiar todo o trabalho pictórico a partir do fim da modernidade: a de saber qual o destino e a natureza da imagem num momento em que tudo o que se considerava apanágio da pintura (forma, gesto, figura, fundo, cor) podia desaparecer, ou ameaçava desaparecer do horizonte da arte contemporânea.


Noronha da Costa trabalha assim apenas a imagem do que foi (e ainda é, interminavelmente) a pintura. Os reflexos de objectos comuns em vidros transparentes ou opacos, baços ou translúcidos, coloridos ou sem cor desmontam o antiquíssimo dispositivo da representação, devolvendo-nos a nós, pontualmente, o reflexo mimético que a pintura prometeu fixar para a eternidade. Este dispositivo é essencialmente um dispositivo produtor de imagens, que a história agruparia mais tarde em géneros bem distintos (história, retrato, paisagem, género, natureza morta, entre outros), através de uma mediação que foi em tempos a da janela sobre o mundo, e que é aqui, na obra de Noronha da Costa, a do écran que filtra a história.


Para além desses objectos tridimensionais da década de 60, Noronha da Costa serviu-se de outras técnicas particularmente adequadas a este conceito. Falamos da pintura celulósica a aerógrafo, em primeiro lugar, e da colagem, inicialmente explorada também nesses tempos de juventude, e hoje substituída pela justaposição de formas apresentadas em diferentes graus de focagem. A imagem de Noronha da Costa parece sempre tender para a imaterialidade que é o próprio da imagem no écran, e não será por acaso que, em tempos, criou imagens holográficas. Não é por isso surpreendente que o cinema, e as características formais da imagem fílmica analógica (repetição, formato rectangular, enquadramento, abertura /fechamento da lente e suas consequências na imagem filmada, entre outras) tenham cativado a sua atenção, seja em séries que reproduziam a qualidade serial da fita de cinema, seja pela reprodução de imagens impressas relativas a determinados filmes, que eram posteriormente trabalhadas pelo artista. De qualquer modo, é de assinalar que Noronha da Costa não diferencia em termos das suas repercussões estéticas a imagem produzida pelo cinema daquela que foi divulgada pela pintura, associando-as numa intervenção autoral que incide sobretudo na aura do objecto artístico.


Num texto de 1982 , o artista fala da imensa necessidade de olhar para trás para avançar, e conclui dizendo que "este é o ciclo que nos olha.". A possibilidade de olhar a imagem, na sua infinita variedade que é também a sua unicidade, essa coube a Noronha abri-la nos idos da década de 60, em Portugal. E este olhar é também uma interrogação, que quem a coloca sabe não ter nunca uma resposta definitiva.

 

Luísa Soares de Oliveira

 

 

 

 

NORONHA DA COSTA


 

Luís Noronha da costa nasceu em Lisboa em 1942. Pintor, cineasta e arquiteto, é diplomado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Em 1969 representa Portugal na X Bienal de são Paulo e em 1970 na Bienal de Veneza. Expõe individualmente desde os 20 anos, destacando-se em 1983 a sua primeira retrospetiva na Fundação Gulbenkian e em 2003 no Centro Cultural de Belém. replica patek philippe watches are available in all ranges from branded to cheap one.These watches are also attractive and stylist.It is good for those want to change their watches according to their clothes.

 

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
1962 – Lisboa, Munique, Paris; 1967 – Galeria Quadrante, Lisboa; Galeria 111, Lisboa (texto Fernando Pernes); 1968 – Galeria Buchholz, Lisboa (texto de José Augusto França); 1969 – Representa Portugal na X Bienal de São Paulo; 1970 – Representa Portugal na XXXIV Bienal de Veneza; 1971 – Galeria Zen, Porto(texto Fernando Pernes); 1972 – Galeria 111, Lisboa (texto Fernando Pernes); Galeria 111 e Sociedade de Belas Artes (texto de Luis Noronha da Costa e Fernando Pernes); 1973 – Galeria Christoph Durr, Munique, (texto de Costa Pinheiro e Fernando Pernes); Expões com Eduardo Nery, no Centro Cultural Português, F:C:G, Paris; 1975 – "À procura do Espaço-pátria perdido", Lisboa; Cinemateca de Paris (texto de José Augusto França); 1976 – Galeria Christoph Durr, Munique; "Dois anos de trabalho", Galeria Quadrum, Lisboa e na Ar.Co, Lisboa "Uma reflexão sobre Noronha da Costa"; 1978 – "Noronha da Costa", Christoph Durr, Munique (texto de José Augusto França); Centro Nacional de Cultura, Lisboa, (textos de Marc Le Botr e de José Augusto França), texto da Diretora Helena Vaz da Silva; 1980 – Centro Nacional de Cultura, Lisboa; 1981 – Exposição galeria Roma e Pavia, Porto (texto de Manuel Antunes); 1982 – Galeria da Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa; Galeria Arcano XXI, Lisboa (textos de Teresa Alçada, Hellmut Whol, Noronha da Costa e João Sousa Monteiro; 1983 – Grande Exposição Retrospetiva na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Galeria Rencontre, Bruxelas; Osuna Gallery, Washinton; "História Trágico-marítima", satira à guerra colonial Portuguesa, exposição individual na SNBA, Lisboa; 1984 – "Noronha da Costa" Galeria Arcano XXI, Lisboa; 1985 – Exposição de Pedras, Museu Tavares Proença Juniro, Castelo-Branco; 1987 - Galeria da Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa (textos de Noronha da Costa); Galeria Nasori, "Pintura Fria", Porto (textos de Fernando Pernes); 1990 – Galeria Nasoni, Porto, Texto José Augusto França; 1991 - Galeria Nasoni, Porto; 1992 – Museu Amadeu Sousa Cardoso, Amarante; 1993 - Galeria Nasoni, Porto; Exposição individual em Lisboa (textos de Bernardo Pinto de Almeida); 1994 - Galeria Nasoni, Porto; 1996 – Exposição Individual Galeria Artela, Lisboa; 1997 – Cooperativa Árvore, Porto, Fundação Oriente, Macau; Galeria Artela, Lisboa; 1999 – Galeria Nasoni e Galeria Atlântica, Porto; 2001 – Galeria Valbom, Lisboa (texto Rui Mário Gonçalves); Galeria de Arte de São Bento, Lisboa (texto Maria João Fernandes), Galeria Bonheur du Jour, Lisboa (texto Isabel de Oliveira e Silva); "Porto 2001".Ultimos trabalhos, Galeria Atlântica (texto Bernardo Pinto de Almeida); 2002- "Porto 2002", Galeria Nasoni, (texto de Bernardo Pinto de Almeida); 2003 – "Noronha da Costa Revisitado" 1965-83, Exposição Centro Cultural de Belém, Lisboa; 2004 – "Noronha da Costa, Tributo a ", Galeria Nasoni, Porto; 2005 – "Piero Della Francesca após Lúcio Fontana" na SNBA, Lisboa; 2006 – "20 quadros 1985-2005", com o titulo "Piero Della Francesca após Lúcio Fontana", Galeria Nasoni, Porto; "A grande janela de Kiev", Galeria António Prates, Lisboa; 2007 – "Elementos primordiais: Espaço, Imagem, Luz", Galeria Nasoni, Porto, "Noronha da Costa em Coimbra", Galeria Sete, Coimbra; 2009 – "Obra recente: pintura e objetos", Galeria António Prates, Lisboa; 2011 – "La Imagem Elegante", Fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva, Lisboa; 2013 – Fundação Manuel de Brito, Oeiras; 2014 – Uma Homenagem", Galeria São Mamede, Lisboa.

 

EXPOSIÇÕES COLETIVAS
1966 – Salão De Maio, SNBA, Lisboa; 1967 – Galeria Quadrante, Lisboa; Galeria Buchholz, Lisboa; Salão de Maio, SNBA, Lisboa; 1968 – "Pintores Portugueses", Galeria Dinastia, Lisboa, Exposição Coletiva SNBA, Lisboa; 1969 -. Exposição coletiva Salão de Maio, SNBA, Lisboa; 1970 – Exposição Coletiva Artes Plásticas, Banco Português do Atlântico, na SNBA, Lisboa; 1973 – "26 Artistas de Hoje", na SNBA, Lisboa; "Pintura Portuguesa de hoje" – Abstratos e Neo- figurativos, Barcelona, Salamanca, Lisboa; Exposição de artistas modernos Portugueses, Galeria Quadrum, Lisboa; 1976 – "Arte Portuguesa Contemporânea", no Museu de Arte Moderna, Paris; "Arte Portuguesa Contemporânea", em Brasilia, São Paulo, Rio Janeiro, Brasil; 1977 – "Alternativa Zero", Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa; "A Fotografia na Arte Moderna Portuguesa", no Centro de Arte Moderna, Porto; "Arte Fiera", Galeria Quadrum, Bolonha, Itália; "Pintura e Escultura", Palácio de Congressos, Madrid; 1978 – XXXIV Bienal de Veneza: "Da Natureza à Arte, da Arte à Natureza"; "Arte Portuguesa desde 1910", Real Academia de Arte, Londres; 2Arte Portuguesa Contemporânea, Instituto dos Inocentes, Florença; 1987 – FIAC 88, Paris (galeria Nasoni); 1989 – ARCO 89, Madrid(galeria Nasoni); "Portugal hoje", Centro cultural do Conde Duque, Madrid; 1999 – Inauguração Museu de Serralves, Porto, "grande exposição: Eis a arte do XX séc" , Maison des Baux; 2000 – Exposição Coletiva Centro Cultural Cantanhede; 2011 – "Diálogos com a coleção Gereldo Rueda", Galeria Municipal de Matosinhos

 

COLEÇÕES
Banco Espirito Santo, Lisboa; Banco Internacional de Crédito, Lisboa; Banco Português de Investimento, Lisboa; Banco Português de Negócios Lisboa; Bnco Tatta e Açores, Lisboa; Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Deustche Bank, Lisboa, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian; Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto; Museu Nacional do Chiado, Lisboa; Museu do Oriente, Lisboa; Museu Amadeu de Souza Cardoso, Amarante; Centro Cultural de Belém, Lisboa; Coleção Palácio de Buckingam, Londres; Fundação António Prates, Lisboa; Fundação Berardo, Lisboa; Fundação Cupertino de Miranda, Vila Nova Famalicão; Fundação Oriente, Lisboa; Fundação Arpad-Szenes, Lisboa; Coleção Arte Moderna Gerardo Rueda, Matosinhos; Coleção Estado Português, Lisboa; Coleção de Arte Moderna Gerardo Rueda, Madrid

 

PRÉMIOS
1968 – Menção Honrosa do Prémio Soquil; 1969 – Grande Prémio Soquil;
1999 – Prémio Europeu de pintura atribuído pelo Parlamento Europeu; 2003 – AICA

 

 

 

 

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