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ALEXANDRA HEDISON

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ALEXANDRA HEDISON

Exposição Everybody Knows This Is Nowhere


Inaugura a 7 de Outubro termina a 8 de Janeiro de 2017

 

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Alexandra Hedison sempre teve reputação de excelente fotógrafa. A artista vive e trabalha em Los Angeles, onde frequentou a Universidade da Califórnia e o seu caso configura mais uma história de êxito em que o hobby da fotografia se transforma em actividade principal como opção de vida do sujeito. Expõe regularmente desde 2004: Los Angeles, Londres e Nova Iorque já conhecem o seu trabalho, mas foi a presença em mostras colectivas o tipo de participação que lhe abriu horizontes mais vastos. A necessidade que a certa altura sentiu de trabalhar com câmaras de grande e médio formato para poder exprimir uma dialética tradição / novidade como procedimento central às suas preocupações formais, Hedison logrou chegar a resultados surpreendentes ao fixar o encontro directo entre o indivíduo e a imensidão da paisagem. Para que esta observação ganhasse sentido estético, AH recorreu a diversas técnicas como a concentração em véus sintéticos para identificar o espaço conceptual e à geometria de inspiração arquitectónica que dá força à maneira expressiva de captar os segredos da vida contemporânea.
A FDLI propôs mais uma vez com à empresa Terra Esplêndida que colaborasse nesta exposição de uma das individualidades de topo do universo cinematográfico norteamericano que, como outras, se dedica à fotografia.

 

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Memória enquanto narrativa mutável
 

Para o público português, Alexandra Hedison é um nome associado ao cinema e à televisão americana. Contudo, o Centro Cultural de Cascais, na linha de programação contemporânea que tem vindo a desenvolver, dá a conhecer uma outra faceta da artista através da exposição de fotografia Everybody knows this is nowhere. Trata-se de um tributo, tanto à película quanto à importância da memória, num trabalho de fotografia documental sobre a ideia de narrativa mutável - reflexo da história pessoal da artista, da sua memória e da própria essência, tempo e mutabilidade de um lugar.

Alexandra Hedison foi atriz de cinema e televisão durante mais de quinze anos, mas o fascínio pela fotografia veio a relevar-se mais forte e é, hoje, uma reconhecida artista plástica, com um portfólio exibido internacionalmente.
Uma máquina fotográfica Contax T2 fez com que Alexandra Hedison se dedicasse a explorar a imagem estática e em 2002, a Rose Gallery, em Santa Mónica, Califórnia, exibiu a primeira série de fotografias da artista.
Longe de se aproximar do ideário da fotografia americana de retrato ou representação dos movimentos sociais, Hedison tem vindo a criar a sua própria linguagem. Os temas que explora repercutem-se, em cada imagem, no encontro direto entre o indivíduo e a imensidão da paisagem, tanto arquitectónica quanto natural. Ambientes comuns, detalhes geométricos e diagonais que se intersectam, convergem criando uma composição expressiva, tanto visual quanto subliminar. Da mesma forma, linhas estabelecem pontes entre o visível e um espaço conceptual dos lugares, do tempo e da memória.
O exercício de fotografar e de criar imagens também se insere numa narrativa própria da artista. A película e os grandes formatos analógicos são um recurso, embora também utilize a máquina digital. Alexandra Hedison prefere trabalhar o enquadramento da fotografia, em vez de alterar a sua composição, ou seja, não recorre à pós-produção.
A sua linguagem é, portanto, criada por meio de uma disciplina técnica que se estabelece no momento em que capta a imagem. O tempo, a repetição, a observação, o enquadramento e o momento efémero em que a fotografia se regista na película fazem parte de uma narrativa ou da ideia de storytelling.

Reconstruir a memória

Em criança, debaixo da casa de praia dos pais, Alexandra Hedison observava o vaivém das ondas, a contemplação e o confronto com a paisagem tão dramaticamente mutável de Malibu.
Passados muitos anos, Alexandra Hedison rumou a Malibu em diferentes estações do ano, levando consigo as máquinas fotográficas. Durante quatro anos, aguardava pelos momentos em que a natureza e a arquitetura do lugar traziam vívidas imagens e memórias. Aproveitando as estações do ano, as tempestades de inverno, os ciclos das marés que alteram a configuração das areias e registando o efémero repetidamente, Hedison compôs a exposição Everybody Knows This is Nowhere, memórias de paisagens que essencialmente nunca permanecem iguais, tal como as memórias que se reavivam nunca voltam com o mesmo impulso. O efémero da paisagem e da memória são aspetos revisitados através das imagens que fixam o terreno mutável sob as casas de praia onde Hedison passou a infância.
As fotografias que o Centro Cultural de Cascais expõe refletem o expressionismo e o traço contemporâneo da artista. Mapeiam não só uma geografia, mas também uma geometria que emerge da composição da natureza e da arquitetura daquele lugar. Tanto representam os ciclos de mudança da natureza como o percurso da memória sempre transitável. São imagens simultaneamente vívidas e abstratas, subjugando a paisagem a cores e composições surreais, camadas que se sobrepõem, mais ou menos visíveis, e que no processo de repetição se tornam a própria memória.
Como resultado, a combinação entre a técnica e a temporalidade convida o espetador a ler a narrativa de uma história de um lugar, porque as próprias imagens têm um tempo de existência que se desloca ao longo das estações dos anos em que a fotógrafa as realizou.

 

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Entrevista de Prof. Salvato Teles de Menezes

sobre exposição de Alexandra Hedison no Centro Cultural de Cascais


Salvato Teles de Menezes, presidente e director delegado da Fundação D. Luís I, partilha como surgiu a ideia de trazer as fotografias de Alexandra Hedison ao Centro Cultural de Cascais. A exposição Everybody Knows This Is Nowhere inaugura em Outubro de 2016 e já está em fase de produção.

Porquê trazer o trabalho fotográfico de Alexandra Hedison a Cascais, que tanto difere da tradição da fotografia americana que conhecemos?
Foi, exactamente, por não se tratar de um qualquer trabalho fotográfico que o escolhi. Uma amiga americana chamou-me a atenção porque tinha visto uma exposição da Alexandra Hedison, nos Estados Unidos da América (EUA). Fui recolher informação e descobri que havia alguns aspectos que a distinguiam claramente de uma tradição da fotografia americana mainstream que se dedica principalmente ao retrato. Nós já aqui expusemos, em alguns casos com a colaboração da Terra Esplêndida enquanto produtora, essa dimensão.

E que dimensão encontrou no trabalho da Alexandra Hedison?
Há uma dimensão conceptual que me interessou porque vem ao arrepio daquilo que é habitual. O que eu estava à espera quando fui procurar a obra da Alexandra Hedison é que fosse encontrar mais uma fotógrafa que se debruçava sobre esses aspectos da condição humana dos EUA, das minorias e maiorias que são sempre elementos importantes dessa tradição fotográfica. Mas não. Encontrei até algumas referências de uma corrente estética de que de sou grande apreciador: o expressionismo. Há um lado expressionista na sua obra que me agradou particularmente. E daí eu ter contactado com ela, tê-la convidado para vir cá.

Como foi esse encontro?
Ficou encantada com Cascais e num fim de tarde na estrada do Guincho muito impressionada com nuvens de configurações muito estranhas. Até fotografou o céu. Encontrei nela uma agilidade de resposta a situações concretas. Nunca nos tínhamos visto antes, mas entendemo-nos muito bem. Veio ao Centro Cultural de Cascais e eu disse-lhe qual seria o espaço de exposição. Ela pediu-me quinze minutos sozinha no espaço para o estudar. Depois voltámos a reunir no escritório e disse-me que já tinha uma ideia muito precisa daquilo que ia fazer em termos de montagem. Avançou com uma série de propostas que me pareceram extraordinariamente adequadas, tendo em conta aquilo que eu tinha visto que era a sua obra. Aquela capacidade, que eu tinha suspeitado existir através da observação das suas fotografias, manifestava-se também no modo como Alexandra Hedison encarava o espaço que lhe estava a ser disponibilizado para expor as suas obras. Isso é um aspecto digno de registo, por ser revelador de uma personalidade organizada e arguta.

Expor este tipo de trabalho fotográfico é provocar, educar ou aliciar o público do Centro Cultural de Cascais?
Em termos das exposições organizadas no Centro Cultural de Cascais nós temos sempre procurado representar não só mainstream mas também outras manifestações mais laterais, que têm muita importância para o quadro contemporâneo, sobretudo na área da fotografia. De facto o público até pode sentir-se provocado, porque a obra da Alexandra Hedison não é fácil. Exige que as pessoas pensem. Mas o nosso papel de gestores culturais também é esse. Todos os anos temos duas grandes exposições de fotografia que, creio, marcam bem as propostas que existem anualmente nesse campo, em Portugal. Temos tido aqui, de facto, grandes fotógrafos, grandes obras e com repercussões muito boas. Neste caso, será algo mais exigente do ponto de vista da reflexão sobre o que é a fotografia. Mas, estou convencido de que o resultado vai ser positivo.

É também uma exposição para artistas e profissionais?
Também é. Já falei com alguns fotógrafos portugueses por quem tenho grande estima, para os alertar para esta exposição, e já tive algumas reacções muito positivas. Portanto creio que vai ser um êxito.

Como se iniciou o processo de produção da exposição?
Falei com o Rui Pereira (Terra Esplêndida). Expliquei que havia esta situação e que era preciso desenvolver todos os aspectos relacionados com a produção e a preparação da exposição. A larga experiência que a Terra Esplêndida tem, sobretudo no campo da fotografia, é desde logo uma garantia de que as coisas vão correr bem. Por exemplo, nós estamos em Março e em Janeiro a Terra Esplêndida já me estava a transmitir informações sobre, por exemplo, a questão dos seguros, entretanto resolvida. Já está tudo em andamento e preparado para que a exposição seja, acima de tudo, um acontecimento artístico que tenha um bom retorno cultural.

Há a possibilidade da exposição entrar em itinerância. É recorrente as exposições que inauguram e são concebidas e pensadas para o Centro Cultural de Cascais seguirem para itinerância?
Em vários casos, sim. A exposição de Sam Shaw começou aqui a sua itinerância europeia. Relativamente à de Alexandra Hedison já sei que a Terra Esplêndida está a tratar dos pormenores com uma produtora espanhola (com quem trabalhamos frequentemente e a quem propus que a exposição fosse para Espanha) para que a coisa prossiga. De facto, não é raro que tenhamos exposições e que depois partam daqui para outros lugares.

 

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Alexandra Hedison para o Centro Cultural de Cascais
Agosto 2016

Everybody Knows This Is Nowhere series show us mutable landscapes creating lines of time with layers more or less visible... like memories that come and go gently in our mind and/or lifetime. It is known this series is a result of work in Malibu beach, a place that is part of your child memories. What brings you the autobiographical work?
As an artist, I've engaged in an ongoing conversation about the space between identifiable points. The so-called journey from a "here" to a "there" is where stories emerge. The construction of these narratives is the basis of my work so it was essential for me to go back to my own beginnings in terms of memory. Malibu is the starting point for my personal narrative.

There is a storytelling in Everybody Knows This Is Nowhere as we always recall memories in order to (re)tell a story. The organization/structure of this exhibition has a story to be followed?
Because stories change over time, the process of making this work spanned over four years. Photographing from the same points on the beach as the tides changed throughout the year, I used various cameras, both film and digital, to record the shifting narrative.

What is for you to have such work presented in Cascais, Portugal, where you probably also have memories to recollect?
I have only been to Cascais once, so it is still new to me. I am thrilled to be showing this work at CCC and look forward to joining the list of extraordinary artists who have exhibited there.

 

 

 

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