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Tema: POLÍTICAS SOCIAIS 7 de Abril
D E S E N H A N D O A T R A Ç O S L A R G O S O S C O N T O R N O S D O P R O J E C T O
Todos os pretextos e todos os momentos são adequados a refletir sobre as múltiplas questões da nossa contemporaneidade que drasticamente influenciam e frequentemente condicionam a vida de todos nós. É com esse objetivo que a Fundação D. Luís tem promovido diversos encontros, palestras e debates em torno de muitas dezenas de temas. Em 2016, essas atividades vão decorrer de 11 de Fevereiro a 16 de Junho no auditório Maria de Jesus Barroso, na Casa das Histórias Paula Rego, propondo o debate e o confronto de ideias sobre questões como Saúde, Cultura, Televisão, Desenvolvimento, Políticas Sociais, Municipalismo, Educação, Ambiente, Europa, Justiça e a participação de personalidades de inquestionável competência, como por exemplo Germano Rego de Sousa, Isabel Pires de Lima, Eduardo Cintra Torres, Francisco José Viegas, Augusto Mateus, Nicolau Breyner, Carlos Miguel, Alfredo José de Sousa ou António Cluny, entre tantos outros. Neste conjunto de Conversas da República – 2016, destaca-se a decisão de honrar o tema de cada sessão com a inspiração de uma figura tutelar de Cascais ou com fortes ligações ao nosso Concelho: Maria de Sousa (Saúde), Branquinho da Fonseca (Cultura), Francisco Pinto Balsemão (Televisão), Fausto Figueiredo (Desenvolvimento), Irmã Elvira (Politicas Sociais), Bruno Nascimento (Municipalismo), Mário Sottomayor Cardia (Educação), Henrique Barrilaro Ruas (Ambiente), António Capucho (Europa), Maria de Jesus Serra Lopes (Justiça)
I R M Ã E L V I R A Uma Portuguesa Extraordinária
Numa época em que todos nós passamos a vida preocupados com o nosso futuro, com as nossas vidas, com o nosso bem-estar, há pessoas que passam a maior parte do seu tempo preocupadas com a vida dos outros e lutando todos os dias contra a pobreza, a discriminação, o isolamento, o preconceito, a exclusão social, a intolerância. Neste nosso Concelho de Cascais, que já ultrapassou os 200 mil habitantes, há felizmente muitos Homens e Mulheres solidários com os que mais precisam. Mas há uma Mulher extraordinária que se destaca. Está à beira de cumprir 79 anos de idade e 50 de uma vida inteiramente dedicada aos outros. Nasceu nas Caldas de São Jorge, uma aldeia perto de Santa Maria da Feira, e admite que já em criança sentia o impulso de ajudar quem precisava de ajuda. Foi certamente esse impulso que, um dia, a fez meter pés a caminho de uma vida diferente. Tinha 26 anos e o destino desejado era o Monte Estoril, onde passou a viver na Casa de Formação das Irmãs Salesianas. Foi a primeira casa que teve, a seguir à casa onde vivia com os pais e os seus 5 irmãos.
Chegou ao nosso Concelho no início de 1966. Faz agora, exactamente, 50 anos. Elvira Nadais, iniciou a sua acção no aglomerado de barracas conhecido pelo Bairro do Fim do Mundo, na Galiza, onde criou o Centro Social Nossa Senhora de Fátima. Talvez lhe chamassem Do Fim Do Mundo, porque era um enorme bairro de lata, maioritariamente ocupado por famílias da Comunidade Cigana, que ali viviam em condições de extrema degradação humana, em casas que não eram casas, erguidas com pedaços de contraplacado e tapadas com telhados de lusalite, que no inverno se carregavam de frio e no verão aqueciam que nem um forno. De modo que foi também com pedaços de contraplacado, telhados de lusalite e inimaginável coragem e determinação que a Irmã Elvira ergueu a primeira sede do Centro Social Nossa Senhora de Fátima, do Bairro do Fim do Mundo, na Galiza, onde começou a cuidar dos mais doentes e das crianças. Corriam então os primeiros tempos dos anos 70. Foi nessa espécie de barracão que a Irmã Elvira se dedicou à promoção de uma comunidade multirracial, ajudando as famílias mais carenciadas a sobreviver, apoiando os idosos mais frágeis e indefesos, incentivando os mais jovens a não se deixarem cair na marginalidade E Elvira Nadais pensava como o poeta: "Grande é a poesia, a bondade e as danças...
E conta: "Eu ia correr com a miudagem para os campos, jogava à bola com eles. E tinha um gravador daqueles antigos, de fita, e gravava as conversas que tínhamos e as canções que cantávamos todos juntos. Todos adoravam porque nunca tinham ouvido a sua própria voz. E muitas vezes até não reconheciam a sua própria voz, porque não estavam habituados a ouvir-se. Hoje, com os computadores, eles já são capazes de fazer tudo. Mas aí, nos computadores, eu ... eu não tenho jeito!
Foi ali, no Bairro do Fim do Mundo, que Elvira encontrou a miséria: crianças descalças, com farrapos a fingir roupas, com fome e olhos brilhantes que pediam ajuda. Encontrou adultos sem orgulho por viver, quase todos analfabetos, muitos doentes, que viviam em barracas em vez de casas. Gente a viver em grande pobreza - sem dinheiro, sem habitação, sem acesso à informação, à educação, à saúde.
Num prédio da rua que tem o nome da Irmã Elvira, um grupo de jovens desenhou um mural para a Freira de quem todos gostam. E acrescentaram: "CONSIGO CRESCEMOS E APRENDEMOS, OBRIGADO IRMÃ ELVIRA"
Informações: Gabinete de Comunicação do Bairro dos Museus – 214 815 911 / 912 - Fundação D. Luís I – 214 815 660 / 665
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