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B R A N Q U I N H O D A F O N S E C A ESCRITOR, POETA, DRAMATURGO, FICCIONOISTA "PAI" DAS BIBLIOTECAS ITINERANTES | 1905 – 1974
I – Enquadramento de uma vida Era filho de Clotilde Madeira Branquinho e de José Tomás da Fonseca. Homem de olhar bondoso e figura inconfundível pelas suas longas barbas, Tomás da Fonseca foi uma figura de grande destaque no meio intelectual e político do seu tempo, o que por certo influenciou a personalidade do filho e lhe vincou o carácter. Tomás da Fonseca era também um apreciado poeta, escritor, historiógrafo, jornalista, professor. Homem de espírito brilhante e habilíssimo orador envolveu-se desde muito novo na propaganda republicana, acabando por se filiar no Partido Republicano e ser uma das figuras mais relevantes da campanha que precedeu a implantação da República. Quando Branquinho da Fonseca tinha 5 anos, o pai resolveu viajar para Lisboa, em 1910, para se juntar à revolução de 5 de Outubro que se preparava em segredo. Toda a família o acompanhou, incluindo o segundo filho do casal, Tomás, com pouco mais de 2 anos. Foi nessa altura que o pequeno Branquinho da Fonseca iniciou a instrução primária na Parede e frequentou, depois, o Liceu Passos Manuel, em Lisboa, onde cumpriu com excelentes notas a maior parte dos estudos secundários.
II – Coimbra e as primeiras experiências literárias Em 1921 a família foi viver para Coimbra, onde Branquinho da Fonseca concluiu no Liceu José Falcão os estudos secundários que tinha iniciado em Lisboa, matriculando-se então no Curso de Direito, na Universidade de Coimbra. Em 1925 envolve-se na fundação de uma revista literárias, a Triptico, com alguns amigos que entretanto conhece em Coimbra: Vitorino Nemésio, Afonso Duarte, António de Sousa. Tinha 19 anos. O grupo de amigos alargou-se entretanto a outros nomes que marcariam a Literatura Portuguesa, como José Régio ou João Gaspar Simões, sendo do estreito convívio entre todos que nasce uma nova revista literária, a Presença A Presença e a Orpheu constituíram dois marcos fundamentais da literatura portuguesa na primeira metade do século XX, sendo inegável que a primeira teve um papel fundamental na difusão do genial grupo da segunda, tomando como mestres os escritores do primeiro modernismo português: Fernando Pessoa, Sá-Carneiro e Almada Negreiros.
III – A Vida profissional Conclui então na Universidade de Coimbra, em 1930, a sua licenciatura em Direito. Foi nomeado Conservador do Registo Civil de Marvão e, em 1936 colocado, com o mesmo cargo, no Registo Civil da Nazaré. Em 1941 viaja para Lisboa, com a família, para ocupar o cargo de Chefe da Secretaria da Comissão de Obras da Base Naval de Lisboa. No ano seguinte, 1942, Branquinho da Fonseca escreve (ainda com o pseudónimo António Madeira) o que muitos consideram a obra-prima da sua produção literária, O Barão. Este texto foi adaptado ao cinema pelo realizador Edgar Pêra, sendo Nuno Melo o misterioso Barão. O director de fotografia é, certamente com enorme orgulho, Luís Branquinho, neto de Branquinho da Fonseca, que reside em Cascais na casa onde morava o Avô.
IV – Cascais Branquinho da Fonseca já residia em Cascais quando foi distinguido com esse convite, desenvolvendo uma relação intensa e fecunda com a Vila, influenciando e sendo influenciado pelo ambiente cosmopolita. E é nesse cargo que se destaca como Conservador da Biblioteca-Museu e grangeia um vastíssimo prestígio no panorama dos Livros e das Bibliotecas em Portugal. E é também em Cascais que Branquinho da Fonseca põe em prática um dos seus mais antigos sonhos, promovendo a primeira experiência realizada em Portugal no domínio das bibliotecas itinerantes, adaptando a essa nova e nobre missão uma velha carrinha do belíssimo museu cascalense a qual proporcionará, ao longo de vários anos, a generosa fruição do livro a grande parte da população do concelho, através do empréstimo domiciliário. Impressionado com o êxito dessa experiência, Azeredo Perdigão convidou Branquinho da Fonseca para criar, organizar e dirigir o Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, que passou a funcionar a partir de 1958 e da qual Branquinho da Fonseca foi a alma e o director desde essa altura até à data da sua morte, em Maio de 1974. É pois graças à paixão, à capacidade e à determinação de Branquinho da Fonseca que em 1958 surgem nas estradas portuguesas as primeiras unidades móveis da Gulbenkian, um Serviço que ao longo de 44 anos de existência emprestou à população portuguesa cerca de 97 milhões de livros, abrangendo mais de 29 milhões de leitores espalhados por três mil e novecentas povoações portuguesas, do litoral ao interior mais profundo. Para homenagear a sua memória a Câmara Municipal de Cascais criou, em 1995, o Prémio Branquinho da Fonseca de Conto Fantástico. E em 2001, de uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian e o Semanário Expresso foi instituído o prémio Branquinho da Fonseca Expresso/Gulbenkian.
Neste final de Fevereiro de 2016, altura em que o Bairro dos Museus cumpre o seu primeiro ano de existência ao serviço da Cultura, a Câmara Municipal de Cascais e a Fundação D. Luís homenageiam Branquinho da Fonseca tornando-o figura inspiradora da 2ª sessão das Conversa da República, dedicada à Cultura, na qual participam Isabel Pires de Lima, Filipa Melo e José d'Encarnação. A Salvato Teles de Menezes caberá a moderação. O debate começa às 21h00 do próximo dia 25 de Fevereiro (quinta-feira) no auditório Maria de Jesus Barroso da Casa das Histórias Paula Rego. A entrada é livre.
I S A B E L P I R E S D E L I M A Nascida em Braga (1952). Professora Emérita da Universidade do Porto. Professora Catedrática Aposentada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a cujos quadros pertenceu entre 1973 e 2013. Investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (Unidade I&D da FCT). Professora convidada em Universidades europeias, africanas, americanas e asiáticas. Doutorada em Literatura Portuguesa com a tese As Máscaras do Desengano - para uma leitura sociológica de 'Os Maias' de Eça de Queirós (Lisboa, Caminho, 1987); especialista em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea e em Estudos Queirosianos com dezenas de títulos publicados; trabalha ainda em Estudos Interartísticos e em Literaturas Comparadas em Língua Portuguesa. Promotora de colóquios e congressos nacionais e internacionais.
F I L I P A M E L O Jornalista, crítica literária e escritora, nasceu em 1972. Trabalha há 20 anos na divulgação da literatura nacional e clássica na imprensa e na televisão. É autora do romance Este É o Meu Corpo, traduzido em sete línguas. Desde 1990, como jornalista especializada na área de Cultura/Literatura, trabalhou como repórter (Visão, Expresso, Grande Reportagem, Ler, JL, O Independente, Escrita em Dia/ SIC), editora (Livros de Portugal/APEL, Mil Folhas/Público, Oriente/ SIC Notícias, Magazine e Magazine Livros/ RTP2), crítica e comentadora (Acontece e Jornal2, RTP2) e consultora (Câmara Clara, RTP2). Em 2011, assinou a autoria, edição e apresentação do programa «Nós e os Clássicos», exibido pela SIC Notícias. Entre 2006 e 2014, orientou a primeira Comunidade de Leitura em livraria, dedicada à Literatura Portuguesa Contemporânea. Recebeu o Prémio Nacional de Cultura Sampaio Bruno em 1996. O seu primeiro romance, Este É o Meu Corpo (Temas e Debates/Sextante), data de 2001 e foi publicado em Espanha, França, Itália, Polónia, Croácia, Eslovénia, Sérvia e Brasil. Os seus contos encontram-se publicados em diversas publicações e antologias portuguesas e internacionais. Atualmente, dirige a revista EPICUR, assina crítica literária nos jornais «i» e Sol e na revista Ler, dirige formações em escrita criativa literária e, ocasionalmente, orienta ciclos de divulgação de literatura ou de participação ativa do cidadão.
J O S É D' E N C A R N A Ç Ã O Professor catedrático desde 1991 (História e Arqueologia) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, está aposentado desde 2007. Foi docente, entre outras disciplinas, de Património Cultural e esteve na origem, em 1989, da criação do Curso de Especialização em Assuntos Culturais no âmbito das Autarquias.
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