| BIENAL CERVEIRA |
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BIENAL DE ARTE DE CERVEIRA
Uma Antologia
CENTRO CULTURAL DE CASCAIS, 26 JANEIRO A 31 MARÇO 2018 A Bienal de Cerveira não necessita de apresentações. Num país onde as bienais só muito raramente ultrapassam a meia dúzia de edições, chegar às quatro décadas de vida e apresentar um corpo de trabalho como é o caso desta instituição é verdadeiramente excepcional. A Bienal de Arte de Cerveira é hoje uma constante no meio ibérico, para não dizer que ultrapassa com à vontade os Pirinéus para se tornar uma referência em outros países do mundo, da China ao Brasil. Mas não só. A Bienal de Cerveira, que continua a conseguir captar a atenção e as candidaturas dos muito jovens artistas, aqueles mesmo que daqui a anos poderão orgulhar-se de ter aqui começado a sua carreira pública, soube também reunir nestas quatro décadas um espólio importantíssimo. Por aqui passaram todos os artistas importantes desde 1978. Muitos deles aqui deixaram trabalho, e é graças ao espírito visionário de quem criou esta instituição que é hoje possível apresentá-los nesta antologia de luxo.
A Bienal surgiu em 1978, num contexto ainda de pós-revolução, e na euforia própria das iniciativas generosas que visavam trazer o dinamismo e a alegria próprios do tempo artístico para um contexto periférico. A sua criação deve-se à visão inovadora do presidente da câmara desta vila do Alto Minho, engenheiro Lemos Costa, que convidara o pintor Jaime Isidoro para realizar uma iniciativa deste tipo. Jaime Isidoro soube ainda trazer a Vila Nova de Cerveira um núcleo de artistas de qualidade, que incluíam Eurico Gonçalves, ngelo de Sousa, Álvaro Lapa, Gracinda Candeias, Justino Alves e Maria José Aguiar, entre outros, que souberam logo desde os seus inícios conferir a chancela de qualidade que esta bienal viria depois a confirmar de edição para edição. O leque de artistas premiados ao logo destas quatro décadas é impressionante, tendo todos eles confirmado a excelência do seu trabalho em carreiras devidamente celebradas posteriormente no país e no estrangeiro.
![]() José Rodrigues | SemTítulo, 1970 - Escultura em ferro pintado, 54x65x128 cm
Das mais de 500 peças que a Fundação Bienal de Artes de Cerveira possui actualmente, a nossa escolha recaiu, em primeiro lugar, naquelas que são assinadas pelos artistas mais importantes que se consagraram depois de 1978. Nas obras dos três fundadores, avulta uma pequena escultura de José Rodrigues, réplica da obra que apresentou a exame no final do seu curso de escultura. A peça, um Guardador de Estrelas de 1963-64, é anterior à data da primeira bienal; mas representa bem, no estilo ainda juvenil do seu autor, muito marcado pela época em que foi feita, o entusiasmo generoso de todos os artistas que viriam depois a estar presentes em Cerveira. Também datadas da primeira bienal, e da euforia criadora dos finais dos anos 70, duas grandes peças colectivas levam-nos a imaginar o que tentava aqui construir-se: uma arte sem autor nem dono, oferecida à terra e criada com o entusiasmo eufórico de quem sabia que estava a fazer história.
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