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Ver aquilo que no homem mecnico. Olhar discernir, perscrutar, interpretar. Do ver ao olhar, do animal ao ser humano, da mquina ao sentimento, a distncia a mesma.
Retratar pode ser reproduzir com mestria: uma testa alta, um nariz adunco, umas orelhas assimtricas. A tela reproduz o que todos vemos. Mas retratar pode ser olhar para algum e descobrir nesse algum o visvel e o invisvel, fazer do rosto que sorri ou olha em frente no uma pessoa apenas, mas o lugar geomtrico de humores, de felicidades e desejos, de angstias e memrias. Retratar pode ser s ver, mas tambm pode ser construir, decifrar. O artista pinta, no o que v, mas o que descortina quando olha - encontra um trao de carcter onde outros vem apenas uns olhos castanhos, percebe uma fragilidade onde outros detectam apenas uma boca bem desenhada.
O que une estes dezoito retratos? Um olhar imediato ver o bvio: figuras masculinas, todas. Anatomias dspares, assemelhando-se, no entanto, naquilo que une a espcie humana. Dezoito pessoas que formam, na singularidade de cada quadro, um universo prprio, que estabelece com os outros um conjunto no inteiramente disjunto. Dos dezoito, dezassete juntam-se regularmente numa tertlia a que chamaram "8 de Janeiro", unidos por factores diversos que agregam subconjuntos: passados partilhados, amizades duradouras, percursos acadmicos comuns, memrias de tempos e de lugares, que quase todos habitam no concelho de Cascais. Acima de tudo une-os, aos dezassete, o gosto da companhia mtua, o prazer da conversa e da gargalhada ou ainda, e sobretudo, esta ideia milenar de que mesa de uma refeio no se envelhece.
Desta exposio no constam dezoito retratos. Esta exposio compe-se de dezoito olhares. Foi isso que fez o pintor, para quem o pincel e a tinta e a tela no foram mais do que extenses dos olhos e da alma com que viu cada um deles.
Dezoito retratos pintados em acrlico, com liberdade de mancha e cor que se formam na paleta ou na tela, com densidade e texturas vrias que acentuam a expresso de cada obra.
densidade da pintura, ao respeito pela forma, ao jogo do claro-escuro alia-se a intuio do gesto de pintar na aplicao da mancha e na subtileza das cores, at se encontrar o equilbrio pretendido tudo isto num jogo entre a intuio da pincelada e a procura da melhor interpretao do retratado.

 

Os retratados

Antnio Nunes da Silva | Bernardo Costa Duarte | Bernardo Menezes | Duarte Fonseca | Eduardo Simes dos Reis | Francisco Lufinha | Guilherme Pinto Basto | Joo Alvim | Joo Costa Guerra | Joo de Bragana | Joo Magalhes Ramalho | Joo Pinheiro da Silva | Manuel Fontes | Manuel Macieira Pires | Nuno Leite Faria | Paulo Sequeira Nunes | Pedro Campilho | Vasco Galvo

 

 

 

 

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